Blog do Juca Kfouri

Tri legal, tchê! A América é azul!l

Juca Kfouri

Aos 26 minutos de jogo, depois que, de soco, Marcelo Grohe havia participado pela primeira vez da decisão da Libertadores em La Fortaleza, Fernandinho se aproveitou de um mau recuo de bola de cabeça para o meio de campo do Lanús, ganhou a dividida, pôs a bola na frente e partiu.

Partiu com Luan ao lado pela esquerda e dois desesperados zagueiros que ele deixou para trás como se fosse Usain Bolt.

E soltou uma pancada de pé esquerdo para fazer 2 a 0 para o Grêmio.

Sim, 2 a 0 , porque Cícero havia aberto o placar na semana passada, em Porto Alegre.

E o Grêmio mandava no jogo, impunha sua camisa bicampeã continental contra um Lanús que parecia não suportar o peso do jogo.

Então, aos 41, como se estivesse passeando no parque de diversões, Luan recebeu a bola na intermediária de Jaílson, comeu, comeu dois, comeu três zagueiros e, de cavadinha, encobriu o goleiro Andrada, como se tomasse um sorvete: 3 a 0.

Renato Portaluppi havia prometido que atacaria o Lanús. Cumpriu. Para se tornar no primeiro brasileiro campeão como jogador e como treinador. Merece a estátua que pediu.

Só mais para o fim do primeiro tempo o time argentino deu um pouco de trabalho.

O Grêmio foi absoluto para o intervalo, já namorando a taça, piscando para ela.

O Lanús teria de tomar uma tempestade de choques para tentar fazer contra o Grêmio o que fizera contra o River Plate nas semifinais.

Só se ouvia a torcida tricolor na fortaleza portenha.

O Grêmio estava a 45 minutos de se igualar ao São Paulo e ao Santos, terceiro clube brasileiro tricampeão continental.

Louco por tri América, como bem sacou sua torcida.

E garantia oito clubes brasileiros na Libertadores 2018.

OK, faltava o segundo tempo e cautela e caldo de galinha não fazem mal pra ninguém.

O Lanús veio para cima em busca de fazer três gols para levar o jogo à prorrogação.

Logo aos 5 minutos o menino Arthur, que jogou demais no primeiro tempo, teve de sair, trocado por Michel.

Sob firme arbitragem paraguaia, a pressão aconteceu e pelo menos um gol os argentinos perderam antes do 10° minuto.

Os anfitriões esbugalhavam os olhos, perplexos.

Os visitantes jogavam tranquilos, maduros, muito melhor, diga-se, do que fizeram em Porto Alegre.

Aos 24′ Jaílson fez pênalti e aos 26′ Sand bateu para diminuir: 1 a 2, ou melhor, 1 a 3.

Cícero veio para o jogo, aos 30′, no lugar de Barrios.

O Lanús jogava por sua honra.

Quando faltavam 10 minutos para o jogo terminar a única dúvida era em torno de saber se os donos da casa aceitariam numa boa a derrota que se aproximava e a festa dos forasteiros.

Bressan saiu machucado e Thiery entrou, mas, aos 38′, Ramiro foi expulso, para dar um pouco de drama à comemoração gaúcha que era iminente.

Aos 44′ Fernandinho deu o terceiro gol para Luan que, em nova cavadinha, perdeu.

Mas também nem precisava e o jogo seguiria até os 50.

Pior que ser torcedor do Lanús nesta noite só mesmo se for colorado.