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Família do potiguar Gil ainda luta por indenização um ano após tragédia da Chape

Juca Kfouri

Por NORTON RAFAEL, Agência de reportagens, SAIBA MAIS

Um ano depois da tragédia de Medellín, a família do ex-jogador Gil ainda aguarda o recebimento de indenizações judiciais em função do acidente aéreo. Única vítima potiguar do desastre, o ex-camisa 8 da Chapecoense endossa a lista de 71 mortos decorrentes da queda do avião da empresa boliviana LaMia, ocorrida em novembro de 2016.

Gil foi titular durante a histórica campanha que levou o time de Chapecó, cidade do oeste de Santa Catarina, à inédita final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, da Colômbia. O trágico acidente aconteceu antes do primeiro jogo do torneio continental. A Chapecoense foi declarada campeã da competição.

Natural do município de Nova Cruz, região Agreste do Rio Grande do Norte, o ex-jogador deixou duas filhas e esposa, que dependiam da renda do patriarca da família. A mulher de Gil, Valdécia Paiva, de 26 anos, foi a primeira viúva a impetrar ação na Justiça do Trabalho contra a Chapecoense, em março deste ano. Ela alega que o marido morreu durante o desempenho de sua atividade profissional, o que se configura em acidente de trabalho.

O processo contra o clube catarinense tramita na 1º Vara Trabalhista de Chapecó e está em segredo de Justiça. Segundo Marcel Camilo, advogado e ex-procurador de Gil, uma nova audiência sobre o caso deve ocorrer nas próximas semanas. Valdécia cobra integralização da remuneração do marido, danos morais e lucro cessante, referente à expectativa de vida profissional interrompida pela morte.

Até o momento, segundo a viúva, a família do ex-jogador teve direito apenas às apólices referentes aos seguros pagos pela Confederação Brasileira de Futebol (correspondente a 12 salários) e pela seguradora contratada pela Chapecoense (28 salários). Valdécia contesta os valores, uma vez que os seguros levam em consideração para o pagamento apenas os salários firmados em Carteira de Trabalho. No meio do futebol é comum que os honorários dos atletas sejam rateados entre CLT e Direitos de Imagem, que muitas vezes corresponde a maior parcela dos vencimentos.

– Em relação às indenizações, ainda não recebemos nada da Chapecoense. É uma situação muito triste porque o Gil morreu representando o clube. Acredito que falta respeito dos atuais dirigentes da Chapecoense com as famílias das vítimas do acidente.

Após o desastre aéreo, Valdécia retornou a Natal e hoje mora com as duas filhas em um apartamento na zona Sul da cidade. O imóvel foi comprado por Gil antes do acidente. Segundo a viúva, o ex-volante visitou o apartamento poucas vezes e pensava em utilizá-lo para passar as férias de fim de ano, quando poderia ficar mais próximo da família que reside em Nova Cruz, distante apenas 90 quilômetros da capital.

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