Blog do Juca Kfouri

Coragem com o pescoço alheio

Juca Kfouri

A prisão de Carlos Nuzman desperta uma porção de sentimentos voltados para o bem, mas, muitas vezes, equivocados.

Há, por exemplo, quem critique os advogados dele, que não estão fazendo outra coisa que não defenderem seu cliente.

Por isso são advogados, não promotores de Justiça.

Só em países totalitários eles não existem.


Exige-se, também, que os atletas se manifestem.

Seria mesmo o mundo ideal.

Mas do mesmo modo que são os raros os jornalistas que criticam publicamente seus patrões, é exigir heroísmo com o pescoço alheio a manifestação de quem está em atividade.

Já houve no Brasil, é verdade, quem o fizesse, como o velho Afonsinho, como Jacqueline, do vôlei, como Sócrates, ou Paulo André.

A exceção de Sócrates, que além do mais, no Corinthians, tinha o apoio da direção do clube, todos os demais pagaram caro pela justa rebeldia.

Porque a guilhotina é inevitável.

Daí ser natural que as vozes mais veementes sejam as dos ex-atletas.

Será saudável que todos ponderemos sobre isso.