Blog do Juca Kfouri

Nunca jamais se errou tanto pênalti assim

Juca Kfouri

O folclórico Neném Prancha, técnico de futebol de praia no Rio de Janeiro que morreu em 1976, aos 70 anos, dizia que o “pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube”.


Vai ver ele estava certo e talvez fosse mesmo a solução para os dias que correm no Campeonato Brasileiro, com o pífio aproveitamento de 65%, 11% abaixo do índice de 2014 e do ano passado, 13% menor de 2015.

Na última rodada do Brasileirão, só no jogo entre Atlético Mineiro e Palmeiras houve três pênaltis e apenas um convertido em gol, os outros dois defendidos por Fernando Prass e Victor.

No Atletiba, dois pênaltis marcados e só um gol.

Na 12ª rodada foi ainda pior, porque foram perdidos os cinco pênaltis assinalados.

O Atlético Mineiro foi o clube que teve mais pênaltis a seu favor, oito, mas foi também quem mais os desperdiçou, cinco, embora também tenha sido o time com mais pênaltis contra, os mesmos oito, e tenha no goleiro Victor o maior pegador, quatro penalidades máximas defendidas.


A exceção é o artilheiro do Brasileirão, Henrique Dourado, o Ceifador do Fluminense, com 13 gols, e que aproveitou as seis cobranças que lhe couberam.

Ele, aliás, só lembra de ter perdido um pênalti na carreira, em 2014, pelo Palmeiras contra o Galo, e assim mesmo batido para fora depois de ter marcado na primeira cobrança que o árbitro mandou repetir. “Jamais”, diz ele, “um goleiro pegou um pênalti batido por mim”.

Como só o Fluminense conta com o Ceifador, seria bom que os presidentes dos clubes começassem a treinar.

Porque bater pênalti no Brasil está parecendo bater lance-livre no basquete.

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 12 de setembro de 2017, que você ouve aqui.