Blog do Juca Kfouri

Um personagem que achou um autor

Juca Kfouri

Acabo de ler a biografia que o jornalista Paulo Cezar Guimarães escreveu sobre o impagável cronista Sandro Moreyra.


Aos da velha-guarda, principalmente cariocas, trata-se de leitura deliciosa e obrigatória, de fazer rir desbragadamente –e de chorar de saudade de um Rio de Janeiro que o Brasil deixou que se perdesse.

Aos mais jovens não é dado o direito de ignorar a riqueza de uma época romântica que não se repetirá.

Paulo Cezar parece ter recebido o espírito de Sandro e escrito uma autobiografia.

São 245 páginas de puro prazer, com um sem-número de histórias que homenageiam a criatividade e a graça de um contador de casos tão brilhante como seu biógrafo, ambos botafoguenses de raiz e de estilos telegráficos, capazes de fazer o leitor passar de uma episódio ao outro com sede de querer o próximo e o próximo até que, meio sem perceber, e para sua tristeza, o livro chega ao fim.

Mané Garrincha, o goleiro Manga, as Copas do Mundo, mentiras verdadeiras e verdades mentirosas, não falta nada.

No papel ou como e-book, por menos de 40 reais ou de 20, o livro, da editora Gryphus, é um primor.