Blog do Juca Kfouri

Verdão no desvio e Galo cai de bicicleta

Juca Kfouri

Como o futebol imita a vida e vice-versa seus imprevistos são muitas vezes terríveis.

Muito pior que perder um jogador por lesão, suspensão ou negociação, é perdê-lo como o Palmeiras perdeu no jogo de hoje o venezuelano Guerra.

Que seu pequeno menino, de apenas três anos, se recupere é a única vitória que importa neste momento.

Cuca improvisou nas duas laterais com Tchê Tchê e Juninho e no meio de campo com Zé Roberto na armação.

No belo estádio de Guayquil com gramado ruim, o Palmeiras começou o jogo com serenidade e maturidade, ao buscar evitar a correria do Barcelona.


Aos 20 minutos, Dudu puxou um contra-ataque e deu para Willian fazer o gol, mas o goleiro desviou com o pé e a bola raspou a trave.

Muito bom para impor respeito.

Tanto que em seguida quase um equatoriano marcou contra.

Com 30 minutos de jogo, o Palmeiras estava melhor e controlava o jogo que transcorria lealmente.

Willian lutava feito um leão e Borja permanecia invisível.

Quando o intervalo chegou o 0 a 0 revelava um jogo sem emoções mais fortes além da chance com Willian, mas confortável para o time brasileiro.


Desconfortável estava o jogo em Cochabamba, onde o Galo jogava mal e perdia para o Jorge Wilstermann, com gol de bicicleta do time boliviano.

Para mudar tal situação, Roger Machado trocou Robinho por Valdívia.

Aos 8, na Bolívia, Alex Silva meteu o braço na bola dentro da área e o assoprador de apito não marcou o pênalti contra o Galo.

Elias também saiu para Otero entrar, aos 17, porque o Galo inexistia, e, aos 29, Fred, marcado e inútil, deu lugar a Rafael Moura.

O He-Man logo cabeceou na trave do JW.

É claro que o Galo poderá virar em Belo Horizonte, mas hoje foi uma decepção.


Cuca deixou o Palmeiras como estava, embora melhor teria sido voltar com Roger Guedes e tirar Borja.

Logo aos 2 minutos Fernando Prass trabalhou pela primeira vez com intervenção preciosa.

O Palmeiras voltou mais cauteloso e permitiu ao Barcelona tomar a iniciativa do jogo e Cuca resolveu botar Roger Guedes no lugar de Zé Roberto, certamente pelo desgaste, até porque era com se o Verdão jogasse com 10, tamanha a inapetência de Borja, aos 18 minutos.

Na primeira jogada de Guedes ele já mostrou serviço ao entortar um zagueiro e sofrer falta na entrada da área, pela direita.

Mas o Palmeiras sofria por deixar o adversário crescer e reclamar, a cada momento, de pênaltis inexistentes.

Michel Bastos entrou no lugar de Dudu, aos 27 e Keno, no de Borja, enfim, aos 33.

O jogo ficou ríspido por causa da irritação equatoriana, impotente diante de Mina e companhia na defesa brasileira.

A bola rondava o gol palmeirense nos últimos minutos e, aos 46, uma bola chutada de fora da área, desviou duas vezes em Thiago Santos e Bruno Henrique e entrou mansamente no gol paulista.

O Palmeiras não tinha por que recuar como fez no segundo tempo. 

Outra decepção. E vamos combinar: Juninho na lateral não dá.

Nada está perdido, mas o caminho deixou de ser suave, até porque o Barcelona se comporta melhor fora de casa.