Blog do Juca Kfouri

O adeus de Duque (1926-2017)

Juca Kfouri

Por ROBERTO VIEIRA

Davi Ferreira, o Duque, era um mineiro de muitas histórias.

Zagueiro esquecido nas brumas do tempo.

Vestiu a camisa de Cruzeiro, Vasco da Gama e Fluminense sem comprometer.

Também não entrou para a antologia poética de nenhum deles.

Embora fosse chapinha de Castilho, Telê e Pinheiro.

De repente.


Duque comanda o Olaria no Carioca de 1962.

Quarto lugar.

Vai pro Vasco caindo aos pedaços.

É mandado embora após dezesseis relatórios ao clube.

Dezesseis relatórios para devolver a grandeza vascaína.

Exílio.

Chega desconfiado em Pernambuco.

Transforma o Náutico em semifinalista de várias taças Brasil.

Implementa uma surpresa na região.

O treino em dois períodos.

É acusado de doping.

Quando o doping repousava na classe de Nado, Bita, Ivan, suor.

Depois pega o trabalho do Mestre Gradim.

E bota fogo no Santa Cruz.

Famoso no Nordeste, quase o milagre?

Levando o Timão ao título do Brasileirão de 72 e 76.

Em 1972 havia uma virada do Botafogo pelo caminho.

Em 1976 havia o rolo compressor Colorado.

No meio do caminho, quebra o jejum do Sport no Pernambucano.

Preparo físico ou mandingas.

Química ou física.

Duque foi até o fim um apaixonado pelo futebol.

Um dos últimos exemplares da bola que o tempo vai esquecendo.

Duque que deixava o catimbó rolar.

Duque amigo do pai Edu.

Duque que era tudo menos supersticioso.

1980.

Final de turno em Recife.

Duque treinava o Santa Cruz.

O Sport deixa um boneco de vudu todo espetado no banco de reservas tricolor.

Pior.

Um corcunda rubro negro entra em campo e se abraça ao treinador.

Duque sorri e abraça Quasimodo.

O Santa vence o Sport e o boneco alfinetado.

Davi Ferreira, o Duque, era um mineiro de muitas histórias.

Zagueiro esquecido nas brumas do tempo.