Blog do Juca Kfouri

Fogão vence com o pé e com a mão

Juca Kfouri

Se ontem o Galo teve ajuda da arbitragem na Bolívia que não marcou um claro pênalti para o Jorge Wilstermann, quando Alex Silva meteu o braço na bola,  hoje foi a vez do Botafogo, no Uruguai, pois, aos 27 minutos de jogo, Victor Luís enfiou a mão na bola dentro da área e o assoprador de apito chileno fingiu não ter visto.

Será que a Libertadores mudou mesmo pelo menos nisso?

Os assopradores deixaram de ser caseiros? Ou melhor, os caras que falam “Brassil” estão mais favoráveis aos times nacionais?

O Nacional de Montevidéu, que não é nem sombra do que foi no século passado, pressionou o Glorioso desde o apito inicial no gramado pesado do Parque Central, mas foi o time brasileiro quem abriu o placar, aos 37, quando João Paulo pegou um rebote e tocou para dentro do gol, em bola cruzada por Pimpão e chutada por Bruno Silva e desviada na zaga.


Para quem jogava por uma bola, ela aparecera molhada e generosa.

Tão generosa que brincou com o centro-avante Silveira capaz de perder incrivelmente um gol aos 43.

O Botafogo foi para o intervalo derrotando o quinto campeão da Libertadores em sua campanha, depois de deixar para trás o chileno Colo-Colo (em 1991) , o paraguaio Olímpia (1979, 1990 e 2002)), o argentino Estudiantes (1968/69/70 e 2009) e o colombiano Atlético Nacional (o atual campeão, além de em 1989).

O Nacional foi campeão em 1971, 1980 e 1988.

Mas se não mudasse de postura seria quase impossível segurar o 1 a 0, mesmo porque, no vestiário, o assoprador tomaria conhecimento de seu enorme erro.

Ou, de fato, as coisas mudaram?


Nos 10 primeiros minutos o Botafogo resistiu bem e Gatito Fernandez não foi incomodado.

O jogo era guerreado, muito pobre tecnicamente,  mas leal, embora o Botafogo abusasse no expediente de parar o jogo com  faltinhas.

Aos 25 o Botafogo seguia resistindo e Roger até chutou pela primeira vez ao gol uruguaio.

O 1 a 0 era uma dádiva e o assoprador não dava sinais de compensar coisa alguma, no que surpreendia favoravelmente.

Jair Ventura resolveu pela entrada de Camilo no lugar de João Paulo, aos 34.

O Botafogo lutava para manter viva a busca por seu título inédito, mas errava bolas fáceis quando conseguia chegar ao ataque.

Na defesa, seguia impecável e lançou mão de Guilherme, aos 39, no lugar de Rodrigo Pimpão.

Faltava pouco.

Escanteios se sucediam para os anfitriões, mas Gatito seguia sem precisar trabalhar.

Mesmo que sofresse um gol, o Botafogo jogaria pelo 0 a 0 no Nilton Santos, dia 10 de agosto.

Claro, mantido o 1 a 0, jogará por qualquer empate e até se perder pelo mesmo placar terá a chance dos pênaltis.

Aos 45, a placa subiu para indicar mais quatro minutos.

Haja!

Saiu Roger entrou Marcos Vinicius, aos 47.

Faltavam dois minutos!

A muralha da Estrela Solitária parecia uma constelação e salvava todas.

Acabou!!!

Na semana do centenário de João Saldanha o Glorioso não negou fogo.