Blog do Juca Kfouri

Domingo corintiano no Brasileirão

Juca Kfouri

Para os pobres de espírito que imaginam esquemas como, por exemplo, de o patrocinador do Palmeiras ser protegido da Casa Bandida do Futebol, presidida por palmeirense, aos 18 minutos o alviverde Roger Guedes foi derrubado na área e o assoprador de apito fingiu não ver o pênalti.

OK, vendo depois, com calma, a falta, clara, e não marcada, foi fora da área, mas se má intenção houvesse…

O Palmeiras começou a jogar no Mineirão como se estivesse em sua casa e atacava o Cruzeiro pelos lados com constante perigo.

Repetia em Belo Horizonte o bom primeiro tempo de Guayaquil, mas faltava criar chances do gol, como no Equador.

Mano Menezes que prometera não levar três gols no jogo de hoje parece ter esquecido do ataque do Cruzeiro e sofria com os avanços do rival pelas pontas.

Brigar o time mineiro brigava, com a bola, inclusive.


E por brigar, aos 31, Thiago Neves aproveitou-se de uma saída em falso de Fernando Prass, que ainda deitou na hora do arremate, e abriu o placar com a habilidade que trouxe do berço: 1 a 0.

Não era justo, mas era o que o placar estampava e, diga-se, a enfiada de bola de Alisson foi preciosa.


Aos 42, Hudson desviou de cabeça um chute de fora da área de Lucas Romero e traiu Prass, em tarde infeliz: 2 a 0.

O time celeste não tomava três e fazia dois. É o futebol!

O Palestra mineiro foi para o vestiário com excelente vantagem sobre o Palestra paulista.

Cuca voltou com Keno no lugar de Mayke.

E com o Palmeiras na pressão.


Até que Roger Guedes, o melhor palmeirense, desceu pela direita e pôs na cabeça de Willian para diminuir: 2 a 1, aos 18, dois minutos depois de o Cruzeiro ter trocado Hudson por Lucas Silva.

O jogo tinha tudo para pegar fogo porque o Verdão seguia jogando como se estivesse em casa e, em casa, lembre-se, o Palmeiras virou um 0 a 3 para 3 a 3, pela Copa do Brasil.

Sassá substituiu Sóbis e Zé Roberto saiu para Raphael Veiga entrar, por volta dos 30 minutos.

Michel Bastos no lugar de Egídio foi a última troca palmeirense.

Élber, aos 47, ainda fez 3 a 1, ao pegar o rebote de um chute dele mesmo à queima-roupa em Prass.

O Cruzeiro não levou os três gols como Mano Menezes prometera. 

Nem dois. 

E fez três de novo no Palmeiras.

E ganhou.


Enquanto isso, em Porto Alegre, o Grêmio amassava o Avaí, mas parava em Douglas DC-1, o goleiro corintiano emprestado ao time catarinense.

DC-1 porque é o número  mais comum dos goleiros e ele é “Do Corinthians”.


Verdade que ele joga com a camisa 22, porque o titular vinha sendo Kozlinski, mas depois da atuação de Douglas, na vitória sobre o Botafogo, no Rio, ganhou a posição.

O jogo na Arena Grêmio não saiu do 0 a 0 durante todo o primeiro tempo, graças a, pelo menos, sete defesas do arqueiro de 1,94m.

Aos 12 do segundo tempo o Avaí cometeu um pênalti infantil e Edílson, ex-Corinthians, bateu com violência, no meio do gol, para o goleirão defender e não só, na sequência do lance ele evitou gol de bicicleta de Geromel.


Aos 20, no pé da trave, Douglas evitou um gol contra de maneira impressionante.

Renato Portaluppi trocou Arthur por Bolaños, aos 21.

Mas, os 28, num chute de fora da área e no ângulo gaúcho, Simião, que havia feito o pênalti bobo com a mão, fez 1 a 0 para o Avaí com o pé.

Imediatamente Edílson saiu e Éverton entrou no tricolor.

É o futebol!

Incrédulos, os gremistas trocaram também Barrios por Lincoln, aos 39.

Em vão.

Aos 40, em contra-ataque, três contra dois, Júnior Dutra, ampliou: 2 a 0.

Aos 41, o Avaí ficou com 10, pois o centroavante Joel foi expulso, mas Douglas permaneceu invicto até o fim do jogo, aos 51.

Uma tarde corintiana em Belo Horizonte e Porto Alegre.

A diferença que era de sete pontos para o vice-líder Grêmio, agora é de nove, para novo segundo colocado, o Flamengo.