Blog do Juca Kfouri

A barbárie segue solta e impune

Juca Kfouri

Quase 165 mil brasileiros pagaram para ver os nove jogos da oitava rodada do campeonato nacional de futebol, média de mais de 18 mil por jogo.

Eu poderia citar que o melhor de todos os jogos, Bahia 2, Palmeiras 4, em Salvador, foi o que reuniu mais pagantes, mais até que o Fla-Flu no Rio, diferença de 54 torcedores, 33.166 na Fonte Nova, 33.112 no Maracanã.

Um contigente de corintianos engrossou o público de mais de 23 mil torcedores que foram ao Couto Pereira, ver Coritiba x Corinthians.


Um deles quase voltou morto para São Paulo, depois de ser agredido e pisoteado por cerca de oito animais com a camisa do Coritiba.

Só não foi morto porque um valente torcedor coxa impediu que o massacre se consumasse.


A tudo, mais uma vez, as autoridades brasileiras assistem sem nada fazer e o país vê em silêncio, cúmplice.

Em meio a Mensalões, Petrolões e delações, a intolerância cresce em todos os campos, até nos aviões.

Vivemos a barbárie, paralisados, impotentes, estarrecidos, mas sem reagir.

Da CBF nada se espera, com seus três maiores cartolas acusados de grossa corrupção, quadro idêntico ao dos governantes e, o que é pior, da Justiça, em profundo descrédito.

Se acreditasse, diria que Deus nos ajude.

Como não creio, já não sei a quem apelar.

No futebol são mais de duas décadas de violência causada por uma minoria que segue impune, porque as autoridades não se interessam em adotar as medidas que já deram certo em outras partes do mundo para minimizá-la.

Desta vez foi em Curitiba, mas poderia ter sido em qualquer outra cidade brasileira.

Em Curitiba.

Para onde os nossos governantes  e ex-governantes olham apenas com medo de serem os próximos denunciados.

O Brasil sabota o Brasil.

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 19 de junho de 2017, que você ouve aqui.