Blog do Juca Kfouri

O preço da eleição de Leila Pereira no Palmeiras

Juca Kfouri

A subserviência ao dinheiro, como era previsto, venceu de goleada nas eleições para conselheiros do Palmeiras.

Leila Pereira e seu marido, José Roberto Lamacchia, fizeram juntos mais de 300 votos– 248 ela, 66 ele.

Ambos, sem direito legal para serem candidatos, serão agora impugnados pela oposição e deverão derrubar o veto, principalmente se a votação da questão for aberta.

Mustafá Contursi mostrou mais uma vez seu poder dentro do clube.


Há, no entanto, a possibilidade de o julgamento ser feito por voto secreto, decisão que cabe unicamente ao presidente do Conselho Deliberativo, Antônio Augusto Pompeu de Toledo, advogado particular do ex-presidente Paulo Nobre, um dos impugnadores de Leila Pereira.

Aí, no mínimo, haverá disputa.

No voto aberto serão poucos os que terão a coragem cidadã de votar contra o dinheiro.

Vitoriosa no julgamento interno, ainda assim Leila Pereira corre o risco de ver sua eleição submetida à Justiça comum.

Não só porque há os indignados com a flagrante ilegalidade estatutária de sua previsível vitória, como porque há quatro suplentes que só não foram eleitos titulares no conselho porque os votos do casal trouxeram mais quatro conselheiros em sua esteira.

Na Justiça, é praticamente certo que a ilegalidade fique provada, porque o casal não tem como demonstrar que são sócios com tempo suficiente para serem candidatos ao conselho.

Enfim, é provável que o Palmeiras volte a viver tempos de turbulência política que poderiam ter sido evitados se o dinheiro, que deveria se limitar a ser apenas de patrocínio, não tivesse comprado a eleição.