Blog do Juca Kfouri

Tite é Seleção, mas não é solução

Juca Kfouri

Se você é uma torcedora exclusivamente da Seleção Brasileira, ou um torcedor só da Seleção, fique otimista: a Seleção, enfim, tem um técnico com T maiúsculo para chamar de seu.

Mas se você tem um time no coração e torce pelo reerguimento do futebol brasileiro, não há o que comemorar.


Ao contrário, teria se Tite tivesse recusado a Seleção e, em posição privilegiada,  pusesse o dedo na ferida de nosso futebol ao explicar a razão de não aceitar ser funcionário da CBF, a ferida de nosso futebol.

Ferida tão aberta e purulenta que é presidida pelo cartola que, seis meses atrás, Tite pediu que renunciasse em manifesto assinado por Jô Soares, Zico, Raí, pelos humoristas Cláudio Manoel e Hélio de La Peña, apresentadores Marcelo Tas,  Luciano Huck e Faustão, pelo escritor Luis Fernando Verissimo, o publicitário Washington Olivetto, pelos atores Dan Stulbach e Wagner Moura, por Amir Somoggi, enfim, por mais de uma centena de personalidades.

Marco Polo Del Nero, indiciado pela Justiça americana e preso nas fronteiras brasileiras, foi quem escolheu Dunga e agora é refém de Tite, que queria vê-lo pelas costas.

Enquanto Del Nero permanecer é até possível que Tite faça um bom trabalho, mas o futebol brasileiro continuará em marcha à ré.

E a ruptura estrutural que não aconteceu nem com o tetra, nem com o pentacampeonato, seguirá adiada ad eternum.

Tite perdeu a chance de entrar para a história como o autor do primeiro passo para a necessária revolução do futebol brasileiro.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, 16 de junho de 2016,que você ouve aqui.