Blog do Juca Kfouri

Alex, the last

Juca Kfouri

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Um dos últimos dos moicanos diz adeus. E deixa o país órfão de um estilo, de um certo refinamento

ALEX se despede neste domingo do futebol no seu palco preferido, o Couto Pereira, que o viu nascer, brilhar e virar cidadão do mundo da bola. Onde deixa, também, o coração.

O Alex do Coritiba diz adeus para tristeza de seus torcedores e deixa nostálgicos também palmeirenses e cruzeirenses, além dos torcedores do Fenerbahçe, que defendeu por oito anos para virar mito.

Foram 20 anos de recitais de um craque que jamais dormiu em campo, apenas se fez muitas vezes de morto para resolver situações com um passe, com um chute, com uma cobrança de falta.

Cabeça boa, rara, altivo, de personalidade forte, difícil vê-lo fazer uma declaração burocrática, só para constar.

Alex sempre teve o que dizer e, pelo menos neste campo, ainda terá por muitos e muitos anos.

Alex não foi um jogador propriamente elegante, mas refinado.

Sutil, quase delicado, mas diabólico. Construía para os seus na mesma proporção que destruía os adversários.

Alex, que ironia, assim como Dirceu Lopes, jamais disputou uma Copa do Mundo.

Veja bem, não está escrito que Alex jamais foi campeão do mundo, porque para esta frase aparentemente terrível mestre Fernando Calazans encontrou a resposta certeira ao tratar de Zico: “Nunca venceu uma Copa do Mundo? Azar da Copa do Mundo!”.

Mas, a Alex sequer foi dada a chance de disputar as Copas de 1998, 2002, 2006, 2010 e até a de 2014.

Ponderemos com as cabeças de Zagallo, Felipão, Parreira e Dunga.

Será que os quatro, todos campeões mundiais, estavam errados e um reles jornalista está certo?

Digamos que em 1998 Alex ainda, aos 21 anos, estava verde, embora essencial para as conquistas do Palmeiras naquele ano e já sempre um dos campeões em assistências nos campeonatos brasileiros, quando não o campeão em assistências, como em 1996 e no próprio 1998.

Se Felipão não o levou em 2002 (em 2003 foi eleito o melhor jogador da América, apenas…), algo que nem Alex nem ninguém jamais entendeu, é claro que não o levaria maduro em 2014, quase parando aos 37.
Mesmo porque a seleção não precisou de alguém que sumisse com a bola durante uns 10 minutos depois do segundo gol alemão…

E Parreira, em 2006, com seu quarteto de ouro, por que levaria o badalado “Menino de Ouro”? Um quinteto seria mesmo demasiado.

Só Dunga não merece críticas porque meio-campistas como Alex agridem a sua visão de futebol.

Curiosamente num futebol como o turco, dos mais viris do mundo, Alex também brilhou.

O que dizer? Repetir: azar das Copas!

Confundir o refinamento de Alex com fragilidade é fácil para quem prefere os brucutus.

Para quem gosta apenas de futebol bem jogado, a perda de Alex remete ao sentimento da orfandade e, aí, independe do time do observador.

Além ainda passou pelo Flamengo e pelo Parma, mas sem deixar saudade, certamente por problemas deles, dos clubes, jamais dele.

Uma das mais equilibradas lideranças do Bom Senso FC, Alex fará falta também nesta área.

Falta que não terá Alex para bater.

Viva, Alex!