Blog do Juca Kfouri

Brasil, o país da Educação

Juca Kfouri

20140108-141247.jpg

POR ERNESTO MARTINS FARIA*

Com a proximidade da Copa da Educação de 2014 o Brasil se diz preparado para o desafio.

Em 2010, após o país ter sido eliminado pela Finlândia, as críticas foram pesadas: “Aqui é assim, ninguém aceita o vice-campeonato, muito menos uma eliminação nas quartas-de-final”, disse um pai de aluno.

Logo após a derrota, pais e professores deram entrevista coletiva afirmando que todos eram responsáveis, e que iam analisar o episódio, para que resultados decepcionantes não voltassem a ocorrer.

José Ricardo, filho de pais analfabetos e, hoje, professor visitante em Harvard, fez muitas criticas em relação ao resultado do Brasil em 2010.

Pudera, ele participou da grande geração que conquistou a Copa da Educação de 1970. “O nosso sistema educacional tem que dar o melhor aprendizado do mundo! Com um time de meninos talentosos como esse, deveríamos conseguir resultados melhores.”

A mobilização após a derrota foi grande: 32% dos brasileiros queriam o educador Muricy no Ministério da Educação, mas o governo de seu estado não quis abrir mão de seu secretário.

O escolhido, então, foi o educador Mano, gestor de uma rede escolar que tinha resultados ruins e que ascendeu a uma das melhores do país.

O fenômeno cultural cresce

Dona Sônia, já com seus 90 anos, deu seu depoimento entusiasmado sobre o filho José Ricardo: “Desde criança ele anda com um livro na mão. Adorava fazer contas. A escola era longe, mas eu fazia um esforço para levá-lo. Eu sabia que ele ia ser um grande professor de matemática.”

Felipe, uma criança de 8 anos e vizinho de Sônia, é o exemplo de que esse fenômeno cultural da Educação está cada vez amiss forte: “Estou estudando muito, pois semana que vem tem ‘peneira’ para a escola Excelência”, disse ele, que já estuda em uma escola com bons resultados na Prova Brasil.

Mudanças após o fracasso e a conquista da Copa América de Educação

Entre as mudanças após o fracasso de 2010 houve a implementação do Plano Nacional de Educação 2011-2020 com uma atribuição clara das responsabilidades dos entes federados, alteração nos planos de carreira dos docentes, o estabelecimento de uma base nacional curricular comum, um maior monitoramento dos resultados nas escolas e um trabalho específico de acompanhamento com os alunos que apresentavam desempenho insatisfatório. “Ele está sofrendo com a adaptação e recebeu algumas “notas amarelas” e até uma “nota vermelha”. Mas a culpa é nossa. Estamos fazendo um trabalho de reforço e sabemos que ele vai aprender. Ele é o cara!”, disse o diretor do colégio Aprender sobre um de seus alunos.

Após ganhar a Copa América, vencendo com sobras o Chile na final, o clima é de confiança.

Os diretores de escolas mostram com orgulho o trabalho que vem sendo feito: “Está vendo aquele menino ali? Você viu a resposta que ele deu? Craque!”, disse um professor.

Embora o Brasil não tenha muitas estrelas, o ministro da Educação acredita muito no sucesso em 2014: “O que diferencia esse grupo é o coletivo. Temos poucos alunos no nível avançado, mas todos têm um nível de aprendizado adequado.”

É, parece que o trabalho vem sendo bem feito, mas com 190 milhões de gestores em Educação é bom buscarmos melhorar ainda mais e termos um sistema educacional que forneça aprendizado a todos, pois no país da Educação o fracasso não é admitido!

“Poucas áreas no Brasil atingiram o grau de exigência desfrutado pelo futebol. O ensaio acima, uma adaptação livre baseada em veiculações sobre a seleção brasileira nos últimos anos, traz a esperança de que os brasileiros algum dia tenham o mesmo senso de urgência em relação à educação no país.”

20140108-141307.jpg
* Ernesto Martins Faria é Coordenador de Projetos da Fundação Lemann