Palestricália
“Pátria, família, religião e preconceito, quebrou não tem mais jeito” (Antônio Cícero)
Por Luiz Guilherme Piva
O Palmeiras precisa perder os sobrenomes, as famílias, o bairro, a colônia, a terra, o sabiá, a tradição e as cores.
O Palmeiras precisa abandonar o estádio próprio, usar o Pacaembu, o Maracanã, o Mineirão e qualquer outro estádio público em outros bairros, estados, cidades e países.
O Palmeiras precisa transformar-se em empresa com participação de fundos de investimentos internacionais e pequenos poupadores, contribuintes pobres e bilionários, abrir o capital e pulverizar sua propriedade para milhões de acionistas no mundo todo, em cotas de qualquer valor.
O Palmeiras precisa de eleições diretas e governança democrática, plural, multicultural, multirracial, com assento para minoritários, simpatizantes, auditores, financiadores, jogadores, torcedores, curiosos, jornalistas e transeuntes, em reuniões transmitidas na internet em sinal aberto.
O Palmeiras precisa de uniforme de quinze cores, com patrocínio da Facebook, Google, Apple, Greenpeace, Médicos sem Fronteiras, WWF, Doutores da Alegria, Riverdance, Cirque de Soleil e Albergues da Juventude.
O Palmeiras precisa de milhares de escolinhas policlassistas de educação, cultura, futebol, capoeira, balé, judô, mecatrônica, origami, ioga e boxe.
O Palmeiras precisa de dirigentes, técnicos, preparadores e craques de todas as cores, raças, nacionalidades e idades, populares e celebridades, sambistas e filósofos, bebedores e ascetas, diletantes e voluntários, milionários e favelados, mercenários e franciscanos, cientistas e vagabundos.
O Palmeiras precisa abandonar os campeonatos e disputar somente amistosos.
Alugar e vender marcas e imagens. Licenciar direitos. Lançar moda. Inaugurar movimentos. Orientar carnavais. Reinventar bossas. Rasgar os ternos. Queimar palhoças.
E que tudo mais vá pro inferno.
Meu bem.
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Luiz Guilherme Piva anda macambúzio.
