Blog do Juca Kfouri

Deu rebote

Juca Kfouri

Por LUIZ GUILHERME PIVA*

Dupla era assim: um time, de dois, ficava no gol. O outro, idem, dava três chutes cada jogador e, enquanto um deles chutava, o outro ficava perto dos goleiros pro rebote – que podia ser de primeira ou com jogada, quando um dos goleiros saía pra enfrentar os dois adversários no “dibre”.

E aí é que era bom. Cada rebote durava duas luas, dezesseis sóis, setenta tempos, cem vezes. E nem almejava o gol: a jogada virava a coisa maior, sem fim, sem trama, sem lógica, sem ganhos futuros, só mais mil dribles, mil erros, recuos, avanços, quantidades, milhões, multidões, até que uma era ou outra saía gol ou a bola ia pra fora.

E então outros chutes e novos rebotes – tão longos, tão longe, que as traves se perdiam da vista e da lembrança.

Podia ser na serraria que virou depósito que fechou mas não desligou a serra, no beco em que havia pinguela que virou pontezinha que virou aterro que ninguém mandava ladrilhar, no quintal que virou terraço que virou piscina, que ganhou um muro dividindo os times, na varanda que tinha a cadeira dele que ficou vazia, na rua de terra em que se faziam fogueiras que ganhou pés-de-moleque em que se descia de rolimã que viraram paralelepípedos em que se subia de bicicleta que viraram asfalto em que estacionavam caminhões que se desintegraram no qual sobem garotos antigos e descem enterros novos.

Parece um rebote, uma jogada que não acaba, que se afasta das traves, que não tem rumo, que esquece a razão de ter começado, que faz sumir de vista as traves, a rua, o quintal, a varanda, o beco, a serraria, correndo atrás da bola, sem nada em volta, a multidão de vitral, “dibrando” sem memória nem alvo, a alma e a cabeça vazias, só o barulho da serra, o barulho da serra, o barulho da serra, o barulho da serra.

E mais nada.

*Luiz Guilherme Piva visita museus do futuro.

  1. Giuseppe

    23/08/2012 02:11:50

    Muito legal, quem conheceu o local, as pessoas vai entender mais ainda a historia.Me lembrei da Rua Julia Alvim de paralelepipedo onde as peladas terminavam 52 a 48

  2. Edson Luiz de Abreu

    21/08/2012 11:29:19

    Obrigado Juca, obrigado Piva!!!Vocês me trouxeram à memória algo que me fazia um menino feliz! Preciso ensinar meu filho... Hoje não tem mais serraria, nem o improviso, nem o campinho da várzea... mas, existe a certeza que, uma bola surrada pode fazer um menino sorrir! Parabéns!

  3. vinicius lima

    20/08/2012 09:55:39

    Sensacional...voltei no tempo...ótimos tempos aqueles, na década de setenta....hoje a "gurizada" nem sabe o que é isto...uma pena....Tem jogador que não consegue controlar a bola tres vezes..lamentável.Parabéns pela coluna/texto.

  4. Nisio Gomes

    19/08/2012 21:40:42

    Entre avanços e recuos, mais uma emocionante jogada do Piva.

  5. Logan

    19/08/2012 19:59:15

    Hoje voltei um pouco no tempo tambem. Tinhamos 3 templos futebolisticos (rsrs): Pinheirinho - De uma lado um matagal, do outro lado uma rua. Outro era o "Cochinho" por que o campo se parecia com um realmente. E nosso terceiro e mais famoso era o "Dom Porquito". Eu me preparava fisicamente correndo 6 Km de minha ate ao campo nas manhas de domingo. Bons tempos. Como esquecer famosos jogadores que por la passaram como: Cobrinha, Ze Calcanhar, Touro, Vermelho e outros. Esclarecendo, cada nome tinha exatamente a ver com o jeito de jogar de cada um. Como esquecer as famosas perolas filosoficas gravadas em nossa memoria: "Sao nos pequenos campinhos que se criam os grandes pernas de pau".

  6. Anrafel

    19/08/2012 10:07:26

    Eu me lembro, e bem. Exercício para o controle de bola num esquema de equipe (menos para o goleiro, claro). Existiam outras variações nessa alegria indizível que era labutar com uma bola de futebol.Uma observação pessoal: sempre joguei na linha (lateral-direito ou médio-volante - hoje, fico de zagueiro mais plantado), mas não tinha ojeriza a ir pro gol. Intimamente, acho que desejava mesmo era ser um grande goleiro (poucas coisas no futebol são mais plásticas que uma defesa no canto, de mão trocada).

  7. Paulinho

    19/08/2012 07:57:10

    Saudades do meu pai,Saudades do silêncio,Saudades dos amigos.Beijo para todos.

  8. Chamon

    18/08/2012 23:43:46

    No meu tempo, esse jogo chamava-se DUPLA. gol direto valia 1 e com rebatida 2. Mas vou então recordar outro: CONTROLE. Os jogadores formavam tipo um meio círculo em torno do gol. Eram todos eles contra o goleiro. A bola só poderia ser chutada ao gol após 3 (ou 4) passes em sequência pelo alto (controlada por embaixadas, de cabeça, etc.), sem deixar a bola cair. Na 3a bola para fora o goleiro se livrava do "castigo" e ia para linha, trocando de lugar com o azarado que errou o arremate. Alguém se lembra?

  9. Luiz

    18/08/2012 23:38:04

    Magnífico texto!Saudades de "dibrar" e "do barulho da serra", só isso,Pensando bem, a gente não precisa mais do que isso!Parabéns Piva. Obrigado Juca

  10. souza pinto

    18/08/2012 23:34:50

    Rafael W.,Marcio e amigos,Muito obrigado,valeu.Valeu muito mesmo.Para encerrar,meus agradecimentos ao sr. Juca por nos proporcionar,a todos nós,pela sua imparcialidade,este campo neutro de debates de idéias.

  11. Luiz Bassi Junior

    18/08/2012 23:31:03

    Texto magnífico!Saudades do "só o barulho da serra" e de "dibrar".

  12. Calim

    18/08/2012 23:05:37

    Nossa que português.testo, reboque

  13. Anrafel

    18/08/2012 23:00:24

    A brincadeira tinha vida própria, mas servia também para resolver o problema de não ter havido 'quorum' para o baba (na Bahia), pelada, racha e outra. denominações pelo país a fora.Havia uma outra disputa que no interior baiano chamávamos de 'quadrado'. Um goleiro e duas duplas disputando quem vazava mais vezes o coitado. Bolas dente-de-leite e canarinho e a sola do pé no chão duro. Recreio da escola (meia-hora) ou entre as cinco da tarde, quando terminavam as aulas, até o goleiro conseguir enxergar a bola.Meu filho ri quando eu falo disso.

  14. Julian

    18/08/2012 22:57:27

    Agora bateu saudade dos meus tempos de infância. Pena que molecada de hoje nunca vai conhecer o que é jogar "dupla".Muito bom o texto.

  15. Orlando Baleroni

    18/08/2012 22:44:43

    Saudades dos primos todos hospedados na minha casa.

  16. Agenor

    18/08/2012 22:42:07

    Legal relembrar isto. Mas aqui no interior de São Paulo chamávamos de DISPUTA. E não era somente dois não. As vezes eram até quatro. E também não havia desinteresse pelo gol não, pelo contrário, o primeiro objetivo era fazer o gol e muitas vezes o bicho pegava de dava até algumas briguinhas. Velhos tempos !! Belos tmpos !!!!Abcs.

  17. Eduardo Rocha

    18/08/2012 21:51:54

    Exponencial!!!A infância que os que tem mais de 40 anos viveram foi saborosa demais!O texto me fez reviver as dezenas de vezes que joguei 'rebatida' no portão do vizinho!

  18. Emilio Carrera

    18/08/2012 21:32:44

    Saudade que transporta...

  19. Ilton

    18/08/2012 21:12:36

    Ótima! Parabéns Piva. Para mim Aqui em sampa era rebatida: gol valia 1, rebote 2, escanteio 3, trave 4, travessão 8 e forquilha 16. Abcs

  20. Márcio - Uberlândia

    18/08/2012 20:21:32

    Amigo Souza Pinto!Somos saudosistas incorrigíveis e apaixonados pela vida.Somos privilegiados.Tenho um filho de 6 anos. Acredito que quando ele estiver com 40, vai lembrar de quando tinha 10 anos com a mesma saudade que sentimos hoje.Porque ele não conheceu a camisa do Corinthians sem patrocínio. Mas ele tem um uniforme completo do Corinthians, com o nome do Ronaldo nas costas. E ele vai ter sua lembranças.Ele não jogou na "graminha" como nós. Mas tem um poliesportivo ao lado de casa, com 3 quadras poliesportivas e 1 campo de futebol. Algo inimaginável nos meus 10 anos.Ele vai achar que as músicas de hoje é melhor do que as músicas de 2032.Ele já não assiste a Rede Globo. Só quando lhe agrada. Ele tem poder de escolha. Na minha época, só 'pegada Globo, Bandeirantes e Manchete, essas últimas cheias de chiado e fantasmas.Mas quarta-feira (foi feriado aqui em Udi), peguei meus filhos e fomos ao parque do Sabiá (não o estádio, o espaço público para esporte e lazer).Fizemos caminhada na pista de 5 Km, jogamos "três corta" com uma bola de volei (fui conhecer uma bola de volei no colegial), brinquei com ele no parquinho, jogamos botão, juntamos a família para jogar "imagem e ação" (recomendo) e por fim, assistimos o Jogo do Corinthians ( na Globo passava Palmeiras X Flamengo, mas diferente da minha época, eu pude escolher).Mas o mais importante, vc disse.Abracei muito as pessoas que amo e disse várias vezes isso a elas.Cabe a nós mostrar as novas gerações aquilo que nos fazia felizes, numa época em que os recursos eram muito mais escassos.Mas eles tb vão lembrar com saudade dos seua 10, 12 anos.Agrande abraço amigo.

  21. Luis Paulo

    18/08/2012 20:18:58

    Achei um testo muito bonito, mas amanhã se der reboque o Neymar guarda .

  22. Alvienegro

    18/08/2012 20:17:10

    E as nossas traves eram as colunas da Igreja, na lateral da porta de entrada, que um dia havia sido gramado e na época já tinha virado terra batida de tantos rebotes, saudades............recordei com meu irmão a semana passada sobre isso e você nos traz à tona em plena internet. Parabéns!!! Só tivemos dúvidas se a trave valiam 3 ou 4 pontos.

  23. Marci Aurélio Hilário

    18/08/2012 19:57:31

    Mais uma vez, obrigado Piva. Emocionante!

  24. Eraldo Barzotto

    18/08/2012 19:17:14

    As melhores coisas da vida são tão simples.Internei meu velho na UTI hoje e deparo-me com recordações tão íntimas como os abraços que recebi ou como os que dei-lhe,Obrigadão JUCA.

  25. Rafael W.

    18/08/2012 19:16:23

    Esse é o Souza Pinto real...olá...tudo bem?Abraço.

  26. Renato

    18/08/2012 19:16:04

    Nada me tira da cabeça que conforme essas brincadeiras com origem no futebol - dupla ou rebatida; um toque; linha de passe, burrinha (com A mesmo, no feminino), etc - forem sendo extintas, o futebol deixará de encantar e até de produzir verdadeiros artistas da bola, os quais, nessas mesmas brincadeiras, no passado, aprimoravam fundamentos. Fundamentos que vemos escassos na maioria dos jogadores atuais. Isso sem contar a paixão intrínseca pelo jogo com a bola adquirida de forma lúdica. Claro, para os garotos contemporâneos, desde cedo, não tem mais brincadeira. Tem escolinha, disputas, interesse numa carreira. O resultado é que vemos gente jovem já cansada da guerra, pois não brincou de bola quando devia brincar. Querem exemplos?

  27. Magrão

    18/08/2012 19:02:32

    Fora o dedão esfolado.

  28. souza pinto

    18/08/2012 19:01:59

    Sr. Juca e amigos.Após ler e reler, várias vezes, os depoimentos ,conclui que é bom viver.A saudade,que nos transportou,a mim e a todos para uma infância mais ou menos distante,não importa,demonstrou que a felicidade está em nós,está próxima,nos gestos,às vezes mais simples e singelos.Quantos não sentiram o sorriso de seus pais,mesmo os ausentes,ou um gesto de carinho,um abraço amigo.Quantos de nós,por este milagre do pensamento,não se transportaram a um passado que dorme,mas não morre.Quantas e quantas lagrimas furtivas não enxuguei.Aos meus filhos,tão emocionado fiquei,que me senti na obrigação de relatar grande parte daquilo que vivi,e que procuro viver sempre,como neste sábado ,graças ao sr. Juca,ao Piva e a todos amigos.Obrigado a todos pela paciência,e um abraço emocionado,com um conselho,se me permitem:abracem e beijem aqueles a quem amam.Amem a todos.

  29. Edimario

    18/08/2012 18:51:38

    Poderia ser no quintal do Tio Elias, onde eu e o Helio ganhavamos, sempre, do Toninho e do "Virso".Muito boa a escrita!

  30. Gilvan Barbosa

    18/08/2012 18:44:13

    kkkkk...Lembro dessa regra! Só não havia tanto desinteresse de fazer o gol, como descreve o autor! Pois geralmente tinha dupla na reserva! Saudades da várzea de Jeremoabo, sertão da Bahia! Lembro bem dos fominhas: Ronivon, Ronaldo, Erinaldo, Junior de Veim, Toninho, Moacir de Neo de Bela, Kiko, Piazza.... rsss

  31. Hércules

    18/08/2012 18:17:37

    Jose , resolvi responder o seu post pois a braincadeira ai tinha o mesmo nome de lá da minha cidadezinha no norte de MT "Apiacás " e gostaria de complementar , pois lá tinhamos uma jogada que chamava PAULISTINHA , era quando a bola batia no travessão e entrava , cinseramente não me lembro a pontuação dela , mas devia valer muito , pois era sempre a salvação da partida quando se estava perdendo rsrsrsrsr , nossa como vale a velha Maxima "RECORDAR É VIVER ""

  32. Osmar

    18/08/2012 18:04:28

    Grande Juca...bateu uma saudade louca dos amigos, dos pais , da escola , etc.Nós jogaávamos fubeca(bolinha de gude com buracos na calçada de terra aí qdo.juntava quatro iamos pro campinho jogar rebatida..quando só tinha três jogávamos de cabeca(um no gol e dois cabeceando)..saudades..

  33. wcampos

    18/08/2012 18:00:48

    JUCA - Essa e a diferenca entre voce e os demais jornalistas esportivos que preoculpam em apenas dar noticias ou fazer comentarios mediocres para ganhar popularidade.Parabens Juca Kfouri. Nao e a toa que vc teve que "convidar" tantos seguidores para almocar. A Patroa com certeza tera prazer em colocar mais "agua no feijao" .

  34. valmir

    18/08/2012 17:58:30

    "rebatida", gol direto vale 1, rebote do goleiro vale 2 e rebote da trave vale 3.

  35. Gilson

    18/08/2012 17:53:16

    Não eram sandálias havaiana amigo! Era alpargadas, conga, dois pelotes de barro. E era muito muito bom, rua de cima contra rua debaixo. Mas o progresso acabou com tudo isso, com essas estórias que hoje parecem mais surgidas dos contos de fadas, tal a inverssimilimidade em se crer em tão distânte mundo de fantasias. Quem viu, sentiu, quem não viu nunca saberá.

  36. roberto castralli

    18/08/2012 17:38:35

    luiz guilherme,voltei ao passado e gostei,do presente gostei do barulho da serra,no futuro gostarei do serra, sem barulho.felicidades!

  37. OswaldoSBC

    18/08/2012 17:37:30

    Será que o Neymar, que hoje fatura cerca de 3 milhões por mês (merecidos) teve esse tipo de brincadeira ? Aliás, será que le teve infância ?

  38. Juca

    18/08/2012 17:32:56

    Aqui na minha cidade(Cunha-SP), na minha época se chamava "tiro de canhão". Joguei muito. Depois que a gente vira adulto vira mais uma recordação.

  39. Machado

    18/08/2012 17:29:10

    Alguma semelhança entre o "rebote" e a Copa do Mundo no Brasil, ou seria mera coincidência?

  40. Iedo

    18/08/2012 17:16:30

    Na minha terra esta modalidade chamava "Disputa". O mais gostoso era com bola de meia, ( nem precisa dizer que jogava descalso" trave feita com sandálhias havaianas para causar dúvidas se a bola foi gol ou se passou por cima, ai a discursão durava mais de meia hora e o que levava a pior chamava o outro de ladrão e voltava ao "jogo" sob protesto. Ufa, voltei 30 anos no passado!!!!

  41. GustavoEgito

    18/08/2012 16:26:28

    Na minha cidade, Sirinhaém/PE (litoral sul de Pernambuco) essa modalidade se chama "Arroto".

  42. Num sei o que é pior

    18/08/2012 16:18:55

    poxa, eu sempre leio esses textos esperando gostar. mas sao todos uma porcaria, prefiro só os comentários e pitacos.

  43. Jose da Periferia

    18/08/2012 16:11:36

    Ola.........aqui na periferia o jogo chamava-se rebatida, o gol direto valia 1....... gol de rebatida valia 2......caso o chute batesse na trave valia 4..........no travessao valia 8.........no angulo(coisa rara ) 16..............bons tempos.......quando garoto(faz tempo) ........sempre estavamos no campo da portuguesinha da vila das belezas(o nome deve ser por minha causa.risos).......esperavamos o jogo acabar ou ir para o intervalo....invadiamos o campo para jogar rebatida(apenas lá tinha a trave com rede...e quando criança a rede é tudo)..............enquanto os times não voltavam ficavamos jogando.......era muito bom(lembranças da periferia).

  44. Paulinho do Carrão

    18/08/2012 16:04:33

    Cara, rejuveneci 40 anos. Demais! É como vc querer voltar às coisas boas e simples da vida e encontrá-las num simples texto, que aos meus olhos surgiam como que amarelados pelo tempo. Quem viveu essa época, sabe com que alegria lemos essas palavras, falando de um passado que não continua atual ,pois perdeu-se (a sua essência) nos arquivos do esquecimento. E só pra puxar um pouco da memória, lembro-me dessas brincadeiras que fazíamos num campinho de terra batida, onde chegávamos às 8 da manhã e nossa mãe (saudades, Dna. Júlia) chamava a gente pra almoçar, lá pelas 12 horas e quando dávamos por nós , já eram quase 19 hs. Que bom compartilhar essas coisas. O presente é bom, o passado foi ótimo!

  45. Itamar Generoso

    18/08/2012 15:55:40

    O NOME DESSA BRINCADEIRA ERA 'REBATIDA'.Cada região e época da um nome diferente para uma brincadeira, tenho 35 anos e moro em São Paulo capital e na minha infância o nome dessa brincadeira era 'rebatida'.Era muito legal, junto com outra brincadeira chamada 'linha' e mais outra que se chamava 'três dentro e três fora' que era a que eu mais gostava.Legal lembrar dessas coisas.

  46. Vagner Silva

    18/08/2012 15:51:09

    O pior era chegar em casa sem um pedaço da sola do pé, porque o melhor mesmo era jogar descalço... bons tempos aqueles.

  47. Sagawa

    18/08/2012 15:25:46

    Poxa, Juca, obrigado pelo presente como faz bem a alma ler textos como essee comentarios salutares, que nos fazem acreditar que o mundo ainda tem jeitoQuem que viveu tudo isso e não ficou com aquela vontade que o tempo retornasse, para que pudesse vive-lo de novo. Parabéns!Abraços

  48. Jorge Araujo

    18/08/2012 15:00:18

    Um texto lindo como esse e me vem um cidadão falar de Mano, seleção brasileira, Copa no Brasil... e outras bobagens.

  49. Alex Goncalves

    18/08/2012 14:55:06

    O texto eh bacana, mas o autor deu uma viajada de poeta e poesia nem sempre eh bem vinda, bem entendida, nem sempre revela uma verdade, apesar de sempre ter sentido. Enquanto vale o sentimento e a lembranca, vale destacar que dos meus tempos de dupla-rebote...o gol era a unica coisa que interessava. Jogavamos quando nao havia meninos bastante para se formar dois times. Entao com seis meninos, formavamos tres duplas, duas jogando e uma de fora. O gol era a unica coisa que interessava pois ele representava a permanencia da dupla. O tempo era contato sim e nao durava nem luas, nem sois...era antes de irmos a escola com o tempo contato, era durante um recreio com o tempo contato, era depois da escola, logo antes de anoitecer...com o tempo contato. Legal o texto, mas poesia eh poesia...nem sempre agrada, nem sempre faz sentido para o leito...mas sempre tem um sentido.

  50. Paulo Santos

    18/08/2012 14:53:53

    Grande texto, tenho 26 anos, sou jovem e como tal posso dizer que fico triste ao constatar que a minha geracao possa ter sido a derradeira com enxadas nas maos para "fazer o campinho" e juntando moedas para comprar cal e conseguir demarcar o campo. Na periferia de Sao Luis chamavamos de penalty ou rebote, tinha tambem o cruzamento e o dois toques ( a bola nao podia tocar no chao e so valia gol de cabeca, bicicleta ou letra). Eu tinha video game e computador,mas so lembrava disso depois que a pelada terminava....as geracoes apos a minha esqueceram o campinho, que virou um lixao....e hoje felizes sao os que ficam na net, outros preferiram as drogas e assim o mundo piora, pois os campinhos vao embora e restam as drogas, o bulling e o sedentarismo. PS: Meu teclado e ingles e obviamente nao tem acentos ou cedilha.

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