Saldanha e Havelange (e duas novas contribuições à polêmica)
João Saldanha em depoimento ao Núcleo de Estudos e Projetos Esporte e Cidadania, em 1988:
VAMOS DEIXAR DE HIPOCRISIA.
FUI CHAMADO PARA TAPAR O BURACO DE uma baita crise no futebol, em um lance arriscado e inteligente do Havelange.
Aceitei.
Montado o esquema de trabalho, sem mistérios, os resultados apareceram.
Fomos bem nos amistosos e nas eliminatórias.
Tínhamos que matar um leão por dia.
No início de 1970, o clima esquentou dentro e fora da seleção.
A pressão foi ficando insuportável.
À cada dia, uma nova casca de banana.
Por gente da própria CBD e por gente da ditadura.
Era difícil tolerar um cara com longa trajetória no PCB ganhando alguma força, bem debaixo da bochecha deles.
O clima na seleção também ficou pesado.
Como não ficar?
Era pancada de todos os lados.
Havelange foi chamado, recebeu ordens e cumpriu.
Fui demitido.
Os pretextos foram sórdidos.
Fui demitido pelo governo do maior ditador e maior assassino da história do país.
Argüir o desempenho técnico não podiam.
Apelaram.
Reagi.
O lado mais fraco não ganharia aquela parada nunca…
Querem fazer uma coisa?
Juntem isso que eu falei com o que eu publiquei na época, que fica mais completo.
É só pegar as crônicas da conjuntura, nas quais eu não podia me espalhar muito.
NOTADO BLOG ÀS 10H: Há dois bons artigos hoje sobre a mudança de nome do Engenhão.
No “Lance!“, o jornalista Thiago Rocha propõe a manutenção do nome de João Havelange e ainda que o estádio passe a ser chamado de Havelanjão, como símbolo de uma obra que custou sete vezes mais que o previsto.
Rocha acha que não seria justo associar o nome de qualquer brasileiro decente ao Engenhão e que melhor será expô-lo ao ridículo.
Já na “Folha de S.Paulo” e em “O Globo“, o jornalista Elio Gaspari propõe que se mude o nome e desafia a prefeitura carioca e a Fifa para ver quem chega primeiro: se a cartolagem, ao cassar o título de presidente de honra da entidade que Havelange ostenta, ou o alcaide na troca do nome do patrono do estádio.
