Odisséia, lenda e glória de Marcos Assunção
Por LUIZ GUILHERME PIVA
Marcos Assunção cumpriu seu nome e subiu aos céus.
Depois de rodar o mundo, vencer guerras, cegar ciclopes, renunciar a seduções, voltou em andrajos.
A glória o esperava, fiando e desfiando, cosendo o tempo para iludir outros jogadores que a desejavam.
Ela sabia que somente quem fosse o melhor na arte de dominar, preparar, atirar e acertar a bola no alvo mais difícil seria o eleito.
Airton, do Coritiba, tentou. Fez bonito, mas não o mais difícil. Não era ele a quem a glória esperava.
Marcos Assunção, desafiado, armou o arco, tensionou a corda, a posição para o alvo era a mais adversa: mas eis que a flecha o obedeceu e cravou o ponto certeiro.
Para ohs desconsolados dos que supunham poder superá-lo.
E a glória, feliz, o recebeu no céu. Que ela teceu inteirinho de verde e branco.
Ou:
Sereno, respeitado e destemido, Marcos Assunção seguia seu curso.
Até que, em meio a todos, exigiram-lhe que idolatrasse falsos ídolos, falsos reis, falsos craques, falsos heróis.
Ele se negou, seguiu seu curso.
Um dos arrivistas se irritou e quis condená-lo. Deu-lhe, porém, a chance de mostrar sua destreza, sua pontaria para poder se salvar.
Ele fez o que parecia impossível: milimetricamente, pés firmes, alvejou a maçã, de leve, na medida exata, na cabeça do Betinho.
E virou herói incontestável, que agora brilha no panteão dos palmeirenses, confirmando, além do destino do seu nome, a predestinação do seu talhe – prontinho para ser busto de bronze.
Luiz Guilherme Piva é campeão.

