A festa e a tocha
Mais inglesa, e mais feita para a TV, do que a festa de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, impossível.
Discretamente humorada, a cena de James Bond escoltando a rainha é histórica.
Tocante, com as crianças cantando o hino da GB.
Orgulhosa, ao mostrar sua história na construção da civilização ocidental.
Dissimulada, ao não mostrar como seu deu sua acumulação primitiva de capital, investindo nos corsários, na pirataria.
E bela, belíssima, multifacetada, surpreendente.
Tirante, é claro, o insolúvel problema do desfile de 204 delegações, chato como a entrega do Oscar.
Mas não consigo ver essa cerimônia sem lembrar de um episódio acontecido na redação da Globo durante a Olimpíada de Barcelona, em 1992.
No dia da abertura, com todos pelo menos já há uma semana forade casa, montou-se um esquema de vigilância permanente para botar a tocha olímpica no ar assim que chegasse à Barcelona.
E o produtor que vigiava o monitor que mostraria a chegada, emocionado, no que a viu flamejante, gritou para o saudoso companheiro que chefiava a redação, Hedyl Valle Júnior:
“A chota chegou, Hedyl, a chota chegou!”.
Antes da gargalhada geral, ouviu-se a voz de Hedyl:
“Calma, companheiro, muita calma nesta hora!”.
Bons Jogos a todos.
Insone, tentarei vê-los com você.

