O resgate da memória olímpica brasileira
Por MAURO ARBEX
O brasileiro costuma esquecer seus grandes atletas do passado.
Até mesmo no futebol, paixão nacional, vários jogadores que deram inúmeras alegrias aos torcedores hoje estão no anonimato.
Os atletas olímpicos são os que mais sofrem com isso.
Mas o país tem agora uma oportunidade de corrigir parte desse erro.
No próximo dia 25, na Cinemateca Brasileira, será lançada a segunda edição do projeto Memória do Esporte Olímpico Brasileiro, que busca promover o resgate da história dos grandes atletas que representaram o Brasil nos jogos.
O concurso, idealizado pelo Instituto de Políticas Relacionais (IPR), é aberto a qualquer produtora de vídeo do Brasil e selecionará nove projetos de documentários sobre esses heróis do passado.
Cada uma das produtoras escolhidas receberá R$ 230 mil para montar o documentário.
No total, serão mais de R$ 2 milhões em recursos, garantidos pela Petrobras.
No ano passado, atletas como José Telles da Conceição, que nos Jogos Olímpicos de Helsinque, em 1952, alcançou a marca de 1,98m no salto em altura e conquistou inédita medalha de bronze; ou Aida dos Santos, que em Tóquio, em 1968, conquistou a quarta posição na prova de salto em altura, mesmo sem treinador, patrocinador, tênis ou uniforme próprio, estão retratados nos documentários selecionados.
Para participar do edital deste ano, as produtoras deverão estar cadastradas na Ancine.
Neste ano, a inscrição pode ser feita pelo site do projeto (www.memoriadoesporte.org.br).
O resgate da memória olímpica brasileira
Da história da primeira medalha do Brasil nos Jogos, em 1920, à vida do nosso único bicampeão olímpico no atletismo, Projeto Memória do Esporte Olímpico chega à sua segunda edição para relembrar os grandes esportistas olímpicos brasileiros
São Paulo, junho de 2012 – No dia 25 de junho, às 19h, na Cinemateca Brasileira, será lançada a segunda edição do projeto Memória do Esporte Olímpico Brasileiro, cujo intuito é promover o resgate da história dos grandes atletas que representaram o País nos jogos.
O concurso, aberto a qualquer produtora de vídeo do Brasil, selecionará nove projetos de documentários e vai conceder R$ 230 mil para cada um deles.
No total, serão mais de R$ 2 milhões em recursos, que vão contribuir para formar uma memória audiovisual da história do Brasil nas Olimpíadas.
A cerimônia contará com as presenças de atletas consagrados e apoiadores do projeto, entre eles Magic Paula e Ana Moser.
O evento marcará também o lançamento dos documentários vencedores de 2011 e do longa-metragem dirigido pelo cineasta Ugo Giorgetti, intitulado “México 1968 – A Última Olimpíada Livre”, que também faz parte do projeto Memória do Esporte Olímpico Brasileiro. “O resgate da história dos esportistas brasileiros que fizeram história nas Olimpíadas é fundamental para que o Brasil passe a ter uma memória.São exemplos de dedicação, superação e sucesso que nosso País não pode esquecer”, comenta Daniela Greeb, presidente do Instituto de Políticas Relacionais (IPR), entidade idealizadora e que está à frente do projeto, em conjunto com Petrobras, ESPN Brasil, Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e Cinemateca Brasileira.
O projeto já tem garantida sua realização, pelo menos, até as Olimpíadas de 2016, que serão realizadas no Rio de Janeiro.
Os documentários também serão exibidos em escolas públicas e em caravanas itinerantes pelo País, como parte do esforço em unir educação, esporte e cidadania, a partir de ações do programa Esporte Educacional, capitaneado por Ana Moser.
Junto com outro programa, o Esporte de Rendimento, coordenado por Magic Paula e voltado para o desenvolvimento esportivo de atletas com alto potencial, os três projetos fazem parte do programa Petrobras Esporte & Cidadania.
“O Brasil não pode mais ser reconhecido como um país sem memória“, enfatiza o jornalista José Trajano, também um dos idealizadores do projeto. “A grande vitória do esporte brasileiro não está nas medalhas, mas também em resgatar a história dos seus heróis olímpicos”, finaliza. Essa necessidade fica ainda mais evidente às vésperas de o Brasil receber os dois principais eventos do esporte mundial, a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016.
Novo Edital
Para participar do novo edital, as produtoras deverão estar cadastradas na Ancine.
Como novidades, nesse segundo ano, as inscrições serão feitas online, por meio do site do projeto (www.memoriadoesporte.org.br), a partir de 25 de junho.
A concorrência contará com duas etapas de seleção.
Na primeira, serão analisadas as propostas conforme sua relevância e aderência ao edital.
Na segunda fase, os classificados concorrerão entre si em defesas orais avaliadas por uma banca de profissionais que definirá os nove finalistas.
Estão previstas também participações dos produtores no II Encontro Esporte, Cultura & Memória, que contribuirão para a produção do filme.
Documentários vencedores de 2011:
Reinaldo Conrad: A Origem do Iatismo Vencedor: Pioneiro em seu esporte, Reinaldo Conrad aprendeu a velejar numa represa e se tornou o primeiro medalhista olímpico da vela brasileira – uma das modalidades mais vitoriosas do Brasil. Trata-se da história desse grande iatista, que participou de cinco edições dos Jogos, e tem o sonho de participar, aos 74 anos, das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.
Ficha técnica:
Produtora: Cinema Brasil Digital
Diretor: Murilo Salles
Ouro, Prata, Bronze e… Chumbo: As três primeiras medalhas do Brasil vieram juntamente com a primeira participação do país nos Jogos Olímpicos. A equipe de tiro foi a responsável pela façanha, nas Olimpíadas de 1920, na Antuérpia (Bélgica). O projeto resgata esses heróis e conta as aventuras que eles percorreram para representar o Brasil nos primeiros Jogos de sua história.
Ficha técnica:
Produtora: GW São Paulo Comunicação S/A
Diretor: José Roberto Torero Jr.
De Olaria a Helsinque – A história de um Salto: No dia 20 de julho de 1952, nos Jogos Olímpicos de Helsinque, José Telles da Conceição alcançou a marca de 1,98m no salto em altura e conquistou uma inédita medalha de bronze, tornando-se, assim, o primeiro representante do atletismo brasileiro a subir ao pódio. Seu triunfo, porém, foi ofuscado pela conquista do ouro no salto triplo por Adhemar Ferreira da Silva. O documentário busca conceder o devido reconhecimento a esse superatleta.
Ficha técnica:
Produtora: DIP – Digital Produções
Diretor: André Klotzel
Aida dos Santos, Uma Mulher de Garra: Única mulher da delegação brasileira nas Olimpíadas de Tóquio, em 1964, Aida dos Santos conquistou a quarta posição na prova de salto em altura, mesmo sem treinador, patrocinador, tênis ou uniforme próprio. Esse projeto resgata a memória dessa saltadora e sua epopeia olímpica.
Ficha técnica:
Produtora: Célula
Diretor: André Pupo
A Luta Continua – Um Documentário em 12 Rounds: Em 1968, o Brasil recebeu sua única medalha olímpica no boxe até hoje. O autor da façanha foi Servílio de Oliveira, ganhador do bronze. Esse documentário procura desvendar o homem por trás da medalha e mostrar toda a sua emocionante saga para disputar os Jogos Olímpicos d0 México.
Ficha técnica:
Produtora: Debasé Filmes Ltda.
Diretora: Renata Sette Aguilar
Brilho Imenso, a História de Claudio Kano: Humilde e carismático, o mesa-tenista Cláudio Kano participou de duas Olimpíadas (Seul, 1988, e Barcelona, 1992) e deixou muitas saudades após sua trágica morte antes dos Jogos Olímpicos de Atlanta, 1996. Cláudio não chegou a ser um medalhista olímpico, mas sua carreira reúne elementos muito especiais, que revelam o perfil não só de um grande atleta, mas de um verdadeiro ídolo.
Ficha técnica:
Produtora: Paranoid Brasil Ltda
Diretor: Denis Kamioka
Pátria: Fernanda Venturini, Ana Moser, Márcia Fu, Hilma, Ana Flávia, Ida, Ana Paula, Virna, Leila, Fofão, Filó e Sandra. O filme conta a história dessa formidável equipe de vôlei feminino, que conquistou o primeiro pódio olímpico da modalidade, com a medalha de bronze em Atlanta, 1996, e colocou o Brasil na elite do esporte.
Ficha técnica:
Produtora: Acere Produções Artística e Cultural
Diretor e roteirista: Fabio Meira
Maria Lenk – A Essência do Espírito Olímpico: O documentário compartilha com todos os brasileiros as histórias e recordações generosamente contadas pela nadadora brasileira Maria Lenk. Um material único, de valor inestimável para a memória do esporte olímpico brasileiro.
Ficha técnica:
Produtora: Pavirada Filmes e Produções Ltda.
Diretor: Iberê Carvalho
O Salto de Adhemar: Adhemar Ferreira da Silva é o único atleta brasileiro que conquistou duas medalhas de ouro consecutivas em uma mesma prova em Jogos Olímpicos. Sua história é marcada pela superação dos limites e sintetiza as dificuldades e desafios dos atletas brasileiros no século passado: ascensão meteórica no esporte e agruras e preconceitos vividos em sua carreira.
Ficha técnica:
Produtora: Bossa Nova Films Criações e Produções
Diretor: Rafael Terpins e Thiago Brandimarte Mendonça.
Longa-metragem
México 1968 – A Última Olimpíada Livre: O longa dirigido por Ugo Giorgetti conta a história da primeira edição latino-americana das Olimpíadas, realizada no México em 1968. Trata-se de uma edição, como diz o próprio diretor, fascinante dos Jogos – e também divisora de águas. Primeiro, por ocorrer em um contexto político mundial definidor – era a época da Guerra do Vietnã, da ditadura militar no Brasil, de maio de 1968, em Paris, da invasão da Tchecoslováquia pela União Soviética e, claro, foi a última Olimpíada antes do sequestro da delegação israelense, ocorrida nos Jogos seguintes, em Munique. Além desse aspecto político, que passaria a dominar muito mais fortemente a realização dos Jogos nas edições subsequentes, também foi a última Olimpíada amadora, já que o aprimoramento e o desenvolvimento técnico, até por conta da politização do evento, avançaram sobremaneira.
