A mancada de Andrés Sanchez
Desde que, no dia 6 passado, publiquei neste blog a nota abaixo…
Cotovelos falantes
Do presidente do Corinthians, Andrés Sanches, na reunião do Clube dos 13, terça-feira passada, diante de mais de 50 pessoas, no microfone e gravado:
“Sou amigo da Globo, mas sei que são todos gângsters”.
Cumé?
…venho recebendo mensagens, no próprio blog ou particularmente, de gente que acha que a frase foi descontextualizada, que foi dita em tom de brincadeira etc.
Amigos da Globo, por exemplo, chegaram a botar em dúvida a própria frase, por ser, de fato, inverossímil, desastrada ao extremo.
É claro que desde que soube da frase, dita na terça-feira, dia 3 de maio, tentei checar com os presentes à reunião do Clube dos 13, onde havia, certamente, mais de 50 pessoas.
Não houve uma voz que a desmentisse, embora a própria direção do Clube dos 13 não tenha querido entregar a gravação da frase por considerar que não seria “elegante”, posto que Andrés Sanchez lá estava na figura de convidado.
E por causa de todos esses cuidados e do esforço para ter uma gravação, só publiquei o desatino três dias depois de o presidente corintiano tê-lo cometido.
Mas água mole em pedra dura tanto bate até Kfura…
Na verdade, cedo ou tarde, sempre aparece uma boa alma disposta a clarear as coisas.
E a frase, um pouco diferente, “Sou amigo do Ricardo Teixeira mesmo, sou amigo da Globo mesmo, apesar de ser gângster”, está aqui, com imagem e som:

Boa tarde, Juca. Ontem, assistindo ao programa Bate-Bola, acompanhei o seu comentário sobre uma intervenção de um “fã do esporte”, na qual buscava traçar um paralelo entre o ministro dos esportes e comandados eventualmente comprometidos com esquemas fraudulentos, e você e companheiros jornalistas da CBN. De forma taxativa, compreensivelmente, você tratou de ressaltar a honestidade dos citados colegas, e que, portanto, a comparação descabia. Logo depois, pude observar o jornalista Calçade, em complemento e endosso, dizer que aquele fã do esporte “confundiu caráter com idéias”. Pareceu-me uma opinião bastante sensata, é claro. De outro lado, não terá sido gratuito o fato daquele jornalista ter apontado o termo “ideias”, no confronto com “caráter”. Assim, questão de lógica, ele (e certamente você também) sabe que os jornalistas da CBN mencionados têm “ideias” ou defendem “ideologia” assemelhadas entre si, com as quais, pelo teor do e-mail, aquele fã do esporte não via com bons olhos. Também você não deverá desconhecer, Juca, que Miriam Leitão, Jabor, etc, não são, para dizer o mínimo, simpáticos às políticas dos governos Lula e Dilma. Não ignorará igualmente que as organizações Globo não são bem vistas por uma parte digamos assim respeitável da população. Os porquês disso são conhecidos. Menciono um, mais novo: “A TV Globo, concessionária de um serviço público, vem ignorando a realização de um evento esportivo – falo do Pan de Guadalajara – porque, fácil deduzir, uma concorrente sua, a Record, ganhou exclusividade de transmissão. Não pode alegar em seu favor, o grupo Globo (e a CBN compõe o grupo), que os jogos são desinteressantes ou de pouca relevância, independetemente de terem ou não terem tais características, dado que no evento anterior (Pan 2007), a Globo deu-lhe grande destaque.” . Juca, você pode não admitir, mas acreditar que as acusações ao ministro dos esportes tem motivação exclusivamente ética é difícil, para quem acompanha criticamente a parcialíssima imprensa (não só a brasileira, diga-se de passagem). Bem, claro que a discussão é longa, e em certa medida, não tem como ser travada em espaço exíguo. Sei também que este e-mail trata de assuntos que podem ser facilmente descartados como não-comunicáveis entre si por um jornalista experiente como você. Mas, em nome do respeito que imagino tenha por seus leitores, ainda mais a um que teve todo esse trabalho que aqui acha-se apresentado, ouso pedir-lhe resposta ou comentário acerca do que trouxe. Por final, gostaria de lhe dizer que, nós, telespectadores, ouvintes e leitores, sentimo-nos mal, impotentes, diante de afirmações de caráter (aí sim) tão fortes como as emitidas por ti no programa de ontem da ESPN. Talvez, no fundo, seja esse sentimento, o de não poder responder “na hora” a observações jornalísticas de aceitação / digestão difícil, é que tenha me levado a, reconheço, gastar todo esse latim e, sabidamente, com pouca chance de êxito do que pleiteei. Espero estar enganado. Ah, ainda mais essa, por que interpretar a intervenção do fã do esporte como necessariamente ofensiva. Se você reler o que ele terá escrito sem a arrogância tão típica de quem tem um aparato midiático nas costas, poderá, como eu achei naquele instante, que a fala não tinha necessariamente a natureza acusatória que nomeou. Enfim, é isso. Agradeço de qualquer forma.
Não consigo achar no teu Blog, mas lembro de ter visto a algum tempo um post com documentos que mostravam as empresas ‘fantasmas’ do Sanches, além de suas ligações com o Teixeira e Globo… acho que aquele post da uma boa introdução a esse !
O time dos títulos duvidosos, do apito amigo, das mudanças de pontuação no meio do campeonato, que tirou a abertura da Copa do Morumbi e jogou para um estádio feito de papel, chamando a Globo de Gangster. Farinha do mesmo saco!