Blog do Juca Kfouri

Meu caro amigo
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

(Choro sobre choro de Francis Hime e Chico Buarque)
Meu caro amigo, o tempo voa, me desculpa,

mas é que eu ando meio grogue.

Abuso então do espaço aberto pelo Juca

e dou notícias pelo blog.

Aqui na terra onde jogavam futebol,

dos bons de samba, bons de couro e bons de gol,

o nosso escrete tá ruim de fazer dó.

É duro, mas vou lhe dizer que há muito picareta

(fora as mutretas mil da Confederação).

E há gente ainda pensando: “é só querer que a gente ganha” –

mesmo tomando sete (sete!) a um da Alemanha! -,

“ninguém segura a seleção!”
Meu caro amigo, eu bem que tento me animar

com os times disputando taça,

mas sempre escolho, após muito zapear,

Juventus, Liverpool ou Barça.

É que na terra onde jogavam futebol,

dos bons de samba, bons de couro e bons de gol,

só temos times indo de mal a pior.

É duro, mas vou lhe dizer que há muito picareta

(fora as mutretas das nossas Federações).

E há gente ainda pensando: “é só voltar o mata-mata –

a inveja desse povo é só complexo de vira-lata –

pra Europa ver Brasileirão”.

Meu caro amigo, pra ninguém vir me dizer
que eu evitei falar de flores:

a cada dia o que a gente menos vê

são verdadeiros torcedores.

Aqui na terra onde jogavam futebol,

dos bons de samba, bons de couro e bons de gol,

as facções já transformaram tudo em pó.

É duro, mas vou lhe dizer que é tudo picareta,

vendem vendetas para garantir o seu.

E aqui eu me despeço, qualquer hora me responda,

mas peço que não trate mais de assuntos da redonda,

porque me sinto mal,

adeus

___________________________________
Luiz Guilherme Piva publicou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras).


A CBF e a máfia
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Juca Kfouri

 

POR MARILIZ PEREIRA JORGE, na Folha de S.Paulo

Toda vez que leio sobre a CBF tenho a sensação de ver um episódio de “Os Sopranos”. A série, criada por David Chase e produzida pela HBO, contava a história de um mafioso e seus comparsas, crimes, corrupção, mulheres e dinheiro.

Sou uma das milhares de órfãs de Tony Soprano, o protagonista. Mas o mundo da CBF sempre mata um pouco da saudade da série.
O novo presidente, Marco Polo Del Nero, poderia bem ser um dos amigos do personagem principal. Ou o próprio. Tem nome de mafioso, careca de mafioso, corpulência de mafioso, namoradas com cara de namoradas de mafioso e comanda entidade que, teoricamente, é uma empresa idônea, mas que vira e mexe tem que provar que é idônea.
É só jogar no Google: CBF, escândalos, corrupção. Impressionante.
Na sexta (15), a notícia era a demissão de Ariberto Pereira dos Santos, ex-tesoureiro da entidade na gestão de Don Ricardo Teixeira. Há um ano, ele comandava o departamento de futebol feminino. Sinal de que seus dias estavam contados.
Vamos combinar que é uma baita perda de poder você, um dia, comandar a dinheirama que rola na CBF e, no dia seguinte, ganhar de presente a direção do departamento de futebol feminino.
Nem precisa ser feminista para saber que, para a CBF, o futebol feminino é a irmã feia da família.
Assim como os parceiros de Tony Soprano, Ariberto parece super gente boa. Usava o banco Rural, investigado na época do mensalão, para fazer as operações cambiais da CBF, o que fez com que a entidade perdesse cerca de R$ 30 milhões quando o Banco Central decretou a intervenção do Rural.
Foi investigado pela CPI do Futebol e acusado de operar um caixa dois –aquelas histórias de CPI que quase nunca dão em nada. Por fim, admitiu usar uma conta particular para gerir recursos da CBF.

Ricardo Teixeira, o ex-presidente que reinou no cargo durante 23 anos, está sendo acusado de ter votado no Qatar para sediar a Copa de 2022 em troca de dinheiro, favores e garantias, segundo o livro “Ugly Game”, lançado no mês passado pelos jornalistas ingleses Heide Blake e Jonathan Calvert.

Os jornalistas contam que o ex-secretário da Fifa Michel Zen Ruffinen aparece em vídeo explicando o que cada membro da Fifa esperava em troca de seu voto. “Teixeira é dinheiro”, disse sobre o brasileiro.

Tony Soprano também era chegado em qualquer negociação que envolvesse grana. Tutti buona gente.

Mas o que eu gosto mesmo são as fofocas em que o nome e as fotos de Don Del Nero aparecem. Não precisa nem ler o noticiário esportivo. Elas estão em revistas do tipo “Caras”, “Contigo” ou no “F5″, o site de entretenimento da Folha.

Don Del Nero ganhou dos amigos o apelido de “Olacyr de Moraes do Futebol”. Achei que era por causa do salarião de R$ 200 mil, mas a história por trás do apelido é muito melhor. O dirigente coleciona namoradas que poderiam ser suas netas.

Currículo das moças: modelo. Para uma deu dinheiro para que ela desse entrada num apartamento e mexeu os pauzinhos para que fosse passista de uma escola de samba.

Para outra, um Mercedes Benz, que custava a bagatela de R$ 200 mil. Mas essa tinha posado para a revista “Sexy”, que fique bem entendido. Essa, inclusive, já é passado. A fila anda. Don Del Nero troca de namorada como Dunga troca a escalação da seleção.

Os babados da CBF são sempre muito mais saborosos do que os da ficção. Tony Soprano fez escola. Ou será que foi o contrário?


Como vi, mal, cinco jogos e um espetáculo
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Juca Kfouri

 Vi, mal, trocando de canal, e ainda no hospital, quatro jogos da Copa do Brasil.

Dio mio!

Figueirense 2, Botafogo 2, Ituano 2, Goiás 0, Sport 2, Santos 1, e Vasco 0, Cuiabá 0.

Vi também, fixo no tablete, Santa Fé 1, Inter 0, pela Libertadores.

Cadê o futebol?

Estava no ginásio de basquete.

Onde vi o começo e o fim de Cavaliers x Hawks.

Que diferença!


Desculpe a nossa falha
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Juca Kfouri

O blog quer voltar, o blogueiro nem tanto.

Quer dizer, querer ele quer, mas não está podendo, meio confuso ainda.

Tomara que amanhã já dê.


Falha técnica
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Juca Kfouri

O blog está com uma pequena falha técnica e deve voltar em 48 horas.


O gás de pimenta e as eleições na Argentina
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Juca Kfouri

leonel-vangioni-do-river-cobre-o-rosto-apos-ser-atingido-por-gas-no-confronto-entre-boca-e-river-na-libertadores-1431653955570_956x500

POR GUSTAVO MEHL*

É difícil explicar o tamanho de um Boca x River para quem só o conhece de longe. Podemos imaginar um jogo com a rivalidade de um Grenal e a cobertura midiática de uma final entre Corinthians e Flamengo: ainda assim, não dá conta.

A Argentina para. Veja bem: a Argentina para, o país inteiro. Todos os jornais, de todas as cidades, passam a semana toda noticiando o pré-jogo, depois mais uma semana repercutindo o resultado. Multiplique por três e você terá o ambiente que por esses dias se vive no país vizinho: foram três Superclásicos seguidos, um valendo a liderança do argentino, os dois seguintes de matar ou morrer na Libertadores, a principal competição do continente. Há um mês que não se fala em outra coisa.

A suspensão da partida decisiva, ontem, diante da Bombonera lotada e de milhões de televisores sintonizados, deu um fôlego ainda maior pra história. Jornalistas hermanos passaram a madrugada trabalhando e passarão mais alguns dias atarefados. E em ano de eleições, acontecimentos de tanta visibilidade ganham naturalmente relevância política.

Em outubro de 2015, os argentinos vão escolher o novo presidente do país. Em dezembro, os xeneizes escolhem o novo presidente do Club Atlético Boca Juniors. Pelos cortiços do bairro de La Boca, há quem afirme que esta última é a eleição mais importante. Paixões à parte, o que todos sabem é que os dois pleitos guardam íntima relação entre si. Explico.

Daniel Angelici, o atual presidente do Boca, é aliado de Mauricio Macri, ex-presidente do clube por mais de dez anos, atual prefeito de Buenos Aires e pré-candidato da direita anti-kirchnerista à presidência da Argentina. O gás de pimenta que queimou os jogadores do River Plate pode queimar também a reputação do mandatário do Boca e, por consequência, do prefeito da capital.

Quem sabe disso muito bem são os kirchneristas. Assim que acabou a partida, o Ministro do Interior e dos Transportes, Florencio Randazzo, pré-candidato a presidência apoiado por Cristina, estava ao vivo num programa da TV Pública condenando a violência de maneira um tanto oportunista: “É uma vergonha, é indignante. Há dirigentes que não entendem que deve-se erradicar a violência, mais que a violência, a delinquência”, disse.

As críticas a Angelici também tomaram a internet. O presidente do Boca não foi visto no campo de jogo durante a paralisação – fugindo à exposição?.. – mas na rede digital alcançou rapidamente os trending topics do twitter graças às mensagens de torcedores que o responsabilizaram pelo incidente. Muitos dos internautas denunciavam ainda uma suposta blindagem a Angelici feita por jornalistas dos meios reconhecidamente opositores ao governo de Cristina Kirchner, como o Clarín e o La Nación. A transmissão da Fox Sports não foi poupada: “É comovedora a maneira que Niembro (comentarista do canal) evita citar o nome de Angelici. Lealdade antes de tudo”, afirmou um internauta. “Se o narrador e o comentarista citam o nome de Angelici, lhes tiram do ar”, escreveu o jornalista Flavio Azzaro.

Mas no meio do turbilhão, há os que acreditam que o vexame da Bombonera pode servir a alguns planos de Angelici e Macri. Um par de anos atrás, a presidência de Angelici apresentou uma proposta no mínimo polêmica: a construção de um novo estádio, com maior capacidade de público, e a demolição da mítica Bombonera. Trata-se de uma empreitada que movimentaria caminhões de dinheiro, como nós brasileiros bem podemos imaginar. Paralelo a isso, Angelici colocou em prática um plano de associados que impossibilita o ingresso de não-sócios às partidas e que é criticado por seu caráter “elitizador”.

O projeto de novo estádio, a demolição do antigo e a elitização da torcida xeneize são ideias que certamente ganharão força com o papelão do gás de pimenta no Boca x River. São, ainda, ideias que se encaixam dentro de um contexto bastante influenciado pelas políticas da prefeitura.

Guardadas as devidas proporções, poderíamos dizer que o prefeito Mauricio Macri é uma espécie de Eduardo Paes misturado com Aécio Neves. Suas reconhecidas capacidades administrativas e políticas são exaltadas pelos seus seguidores e o credenciam como o principal nome da oposição ao Kirchnerismo. Por outro lado, os críticos apontam para sua relação benevolente com os grandes empresários e denunciam sua postura autoritária no governo da capital.

De fato, o panorama hoje em Buenos Aires é bastante favorável à especulação imobiliária, às corporações transnacionais, às construtoras. No bairro da Boca, por exemplo, o aumento do custo de vida para os moradores se contrapõe a perspectivas de oportunidades de ouro para o mercado imobiliário – por exemplo, no terreno em que hoje está o templo do futebol chamado de La Bombonera. Mas os projetos de Macri e Angelici sofrem resistência. Pelos muros do bairro de La Boca, por exemplo, esta resistência grita. “De la Bombonera no nos vamos! Boca es pueblo!”, é o que se lê em toda esquina.

Os desfechos de todas estas disputas ainda não são previsíveis. No meio do caminho, serão muitas as jogadas, dentro e fora de campo, dos dois lados do alambrado. Quem falou que seria simples? A política em Buenos Aires é um eterno Boca x River.

*Gustavo Mehl é jornalista, brasileiro, vivendo em Buenos Aires.


Los animales vuelven a atacar
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Juca Kfouri

Ia começar o quarto tempo do “Superclássico”, entre Boca Juniors e River Plate, na Bombonera.

A exemplo dos 90 minutos iniciais no Monumental de Nuñes, quando o River vencera por 1 a 0, o jogo era mais violento que jogado.

Mas na volta para os 45 minutos finais, com 0 a 0 no placar, torcedores do Boca jogaram gás de pimenta no jogadores do River.

Verdadeiros animales.

Que, como sabemos, há por aqui como lá.

O episódio, jamais desvendado, do gás jogado no vestiário do São Paulo em jogo no Parque Antarctica, em 2008, se parece com o da Bombonera.

O pior é que pode virar moda porque maus exemplos frutificam, apodrecidos mas frutificam, como se sabe.

Difícil imaginar que o Boca Juniors, queridinho da Conmebol, se livre de grave punição mais uma vez.

Mas lembremos que outros animais, disse animais, não animales, em Oruro, até mataram um garoto de 14 anos com um sinalizador.

Esta é a Libertadores.

Feita à imagem e semelhança dos nossos cartolas, dos que falam português e espanhol na América do Sul.

A copa da impunidade.

Cartolas e vândalos impunes estão matando o futebol deste lado do mundo, enquanto na Europa só floresce.

O “Superclássico da Pimenta” entra para a história como tragédia.

O jogo, depois de mais de uma hora de hesitação das autoridades, preocupadas com a reação de 50 míl pessoas na Bombonera, entre elas sabe-se lá quantos animales, foi suspenso.

Não havia mesmo o que fazer.

O River deve ser o próximo adversário do Cruzeiro.

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, 15 de maio de 2015, que você ouve aqui.


Quantos parlamentares a CBF contratará para barrar a MP do Futebol?
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Juca Kfouri

POR BOM SENSO FC
    

Marcelo Aro (PHS-MG), Vicente Cândido (PT-SP), qual será o próximo?


Semana passada, o Bom Senso F.C. procotolou pedido de afastamento do deputado federal Marcelo Aro (PHS-MG) da Comissão Mista da Medida Provisória 671, tendo em vista sua nomeação como diretor de Ética e Transparência da Confederação Brasileira de Futebol. 

Pelo mesmo motivo, o Bom Senso F.C. protocolou ontem (13/05) pedido de afastamento do deputado Vicente Cândido (PT-SP) da Comissão devido a sua nomeação como diretor de Assuntos Internacionais da CBF. 

O senador Petecão (PSD-AC), presidente da Comissão, também foi notificado oficialmente para que tome as providências necessárias diante da negativa dos requeridos de afastaram-se voluntariamente.

O Bom Senso F.C. compreende que há flagrante conflito de interesses e o gesto de nomeá-los diretores da entidade em meio à tramitação da MP do Futebol, em que a CBF faz sistemática e agressiva oposição, atenta contra parâmetros éticos elementares para a adequada apreciação da MP do Futebol.