Blog do Juca Kfouri

Modernização do futebol brasileiro terá jogo duro no Congresso Nacional
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Juca Kfouri

De um lado, com suscetibilidades feridas, um grupo de deputados quer votar, em caráter de urgência, a Lei de Responsabilidade  Fiscal do Esporte.

Que tem avanços, mas insuficientes e dúbia em relação às punições dos clubes que não a cumprirem.

Neste grupo de parlamentares, não faltam, é claro, representantes da bancada da bola.

Do outro lado, o Poder Executivo, que tem no forno, dependendo de ajustes do Ministério da Fazenda, uma Medida Provisória muito mais modernizadora, que prevê até a criação de uma Agência Reguladora para não deixar que a lei não pegue, como é comum no Brasil e mais comum ainda quando atinge o futebol, organismo que a CBF e seus representantes na Câmara não aceitam.

Na terça-feira que vem, o Governo Federal tentará sensibilizar sua base para impedir que a lei seja votada, até porque, se aprovada, será novamente vetada pela presidência da República, como já aconteceu no fim da legislatura passada.

Entre outras razões porque há um vício de iniciativa na proposta dos parlamentares, pois a lei prevê uma queda de arrecadação que é prerrogativa exclusiva do Poder Executivo.

O jogo será disputado e, suscetibilidades à parte, espera-se que o Brasil seja o vencedor.

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015, que você ouve aqui.


Aula colorada na Universidade do Chile
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Juca Kfouri



Não foi fácil porque poucas vezes será fácil para os times brasileiros nesta Libertadores.

Mas o Inter, diante de mais de 35 mil torcedores apesar da chuva que caiu sobre Porto Alegre, venceu com maestria a Universidade do Chile.

No primeiro tempo as oportunidades se alternaram e Maxi Rodriguez, emprestado pelo Grêmio, chegou a assustar os colorados ao carimbar o travessão gaúcho.

Verdade que o Inter criou mais, teve dois pênaltis não marcados e um terceiro, duvidoso, aos 44 minutos, convertido por D’Alessandro.

Na etapa final os brasileiros ampliaram, aos 15, com um brilhante lançamento de Alex para Jorge Henrique, que teve frieza para fazer 2 a 0.

Quando tudo parecia resolvido, também em belíssima jogada, os chilenos descontaram e pressionaram.

Foram necessários 10 minutos para que, aos 31, Eduardo Sasha, ao pegar de primeira outro ótimo passe, agora do chileno Aránguiz.

Jorge Henrique e Sasha foram as surpresas do técnico uruguaio Diego Aguirre e não decepcionaram, ao contrário.

Na próxima quarta-feira, outra vez no Beira-Rio, o Inter terá a chance de derrubar o bom time do equatoriano Emelec, com duas vitórias nas duas primeiras rodadas.

Para tanto, terá que jogar com mais segurança na defesa e esperar que D’Alessandro repita a aula de futebol dada na bela vitória contra La U.


Aprovada urgência para projeto que renegocia dívidas de clubes de futebol
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Juca Kfouri

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 292 votos a 26 e 3 abstenções, o regime de urgência para o Projeto de Lei 5201/13, que cria regras para os clubes de futebol renegociarem a dívida com o Fisco federal. Além da renegociação das dívidas em taxas menores, o projeto prevê o rebaixamento do clube mau pagador.

O objetivo do regime de urgência é acelerar a análise da proposta, mas ainda não há data prevista para sua votação em Plenário.

Ao mesmo tempo, nas próximas horas, deverá estar pronto o texto preparado pelo governo federal para a Medida Provisória sobre o mesmo tema, com a diferença de ser mais avançada e modernizadora que o Projeto de Lei, contaminado pela bancada da bola.


Ainda a mistura das torcidas
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Juca Kfouri

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Os presidentes dos cinco grandes clubes paulistas conclamaram seus torcedores a ir ao Pacaembu.
Para torcer pelo São Paulo.
Em uma final de Libertadores.
Será que eles foram?

Por ALEXANDRE GIESBRECHT

(Este texto foi originalmente publicado em Anotações Tricolores.)

Mirandinha pertence ao seleto grupo de são-paulinos que marcaram gols em finais de Libertadores, ao lado de Pedro Rocha, Raí (2), Vítor, Gilmar, Müller (2), Amoroso, Fabão (2!), Luizão, Diego Tardelli, Edcarlos e Lenílson, além de dois adversários que balançaram as próprias redes em nosso favor.

(A lista santista tem onze jogadores, a palmeirense, oito e a corintiana, dois.)

Na espetacular foto acima, publicada no Jornal da Tarde, ele demonstra toda a sua alegria pelo segundo gol são-paulino no primeiro jogo da decisão de 1974, no Pacaembu — o Morumbi estava fechado, com seu gramado sendo reformado — , virando o placar em nosso favor. Vê-se, ainda, a alegria da torcida.

A pergunta é: são todos são-paulinos na foto? O mais provável é que sim.

Porém, os presidentes dos quatro outros times paulistas que se consideravam grandes naquele ano tinham conclamado suas respectivas torcidas a não só apoiarem o São Paulo, como também a fazê-lo no Pacaembu.

Os apelos foram feitos na TV Gazeta, na véspera do jogo, e republicados na Folha de S. Paulo do dia seguinte.

Leia-os, ligeiramente editados, para maior clareza (os originais estão disponíveis no sítio do acervo do jornal):

Vasco Fae, presidente do Santos:

“Eu queria convidar… ou melhor, incentivar que a torcida alvinegra, a torcida peixeira, no dia de hoje, já que na festa de despedida de Pelé, no Pacaembu, nós recebemos todas as torcidas… Por isso, hoje, vamos retribuir, levando o nosso apoio ao Tricolor do Morumbi, contra o Independiente. O São Paulo Futebol Clube é o Brasil na Libertadores. Por isso, a torcida deve comparecer, hoje, ao estádio. O São Paulo precisa de sua torcida”.

Vicente Matheus, presidente do Corinthians:

“Eu faço um apelo à torcida corintiana e aos esportistas em geral. Hoje à tarde, vamos jogar contra o Botafogo [de Ribeirão Preto, pela primeira rodada do segundo turno do Campeonato Paulista, no Parque São Jorge], portanto, esse jogo termina às [18 horas], mais ou menos. Por isso, faço um apelo à torcida Camisa 12, aos gaviões da fiel, a todos os corintianos, que, depois do jogo, se incorporem, com suas bandeiras, para prestigiar o nosso querido amigo São Paulo Futebol Clube, porque temos muitas amizades na diretoria do Tricolor. No campo, somos rivais e lutamos de ombro a ombro, mas sempre com lealdade. Portanto, torcida corintiana, hoje, o São Paulo, que já é um nome lindo, mais do que isso, é Brasil e precisa do apoio dos corintianos. Pois eu também estarei lá, presente, para torcer com aquela galhardia,aquele entusiasmo, conforme torcemos na última quarta-feira [quando o clube conquistou o “título” do primeiro turno do Paulistão, após ganhar do mistão são-paulino]”.

Paschoal Walter Byron Giuliano, presidente do Palmeiras:

“À grande torcida do Palmeiras, peço que levem todas as bandeiras do nosso clube ao Pacaembu. Peço apoio total ao São Paulo Futebol Clube, pois o jogo de hoje é uma festa para o futebol brasileiro. Espero que, nesse jogo contra o Independiente, os palmeirenses compareçam em massa ao estádio, torcendo para o São Paulo. Vão ao estádio. Torçam pelo nosso irmão. O futebol precisa de você, torcedor palmeirense. Leve o seu apoio, leve o seu abraço, à torcida do São Paulo”.

Osvaldo Teixeira Duarte, presidente da Portuguesa:

“Nós queremos dirigir a palavra aos nossos associados, da nossa queria Portuguesa de Desportos. A palavra de hoje é uma palavra de ordem. Nós queremos todos os nossos torcedores, na noite de hoje, nesse jogo extraordinário que a cidade aguarda. Estará em jogo o prestígio do futebol brasileiro. O prestígio que nós precisamos recuperar. O prestígio que nós precisamos consolidar. E fica aqui a nossa palavra, o nosso convite, para que você, torcedor luso, compareça, de forma maciça — de forma maciça, repito — , ao Estádio do Pacaembu, na noite de hoje. Precisamos prestigiar o São Paulo Futebol Clube. É necessário levar o nosso aplauso e o nosso calor àqueles que vão defender realmente o futebol brasileiro. Torcedor luso, compareça ao Pacaembu, às 21 horas, pois o São Paulo precisa do seu apoio e o futebol brasileiro, também”.

Ainda havia depoimentos de Mário Frugiuele, presidente em exercício da Federação Paulista de Futebol e ex-presidente do Palmeiras, e de Henry Aidar, então presidente do São Paulo e pai do atual mandatário: “O São Paulo Futebol Clube faz questão de adentrar em campo hoje e prestar uma homenagem aos nossos co-irmãos, pela forma como eles se dirigiram à torcida.”

Não se sabe quantos dos 51.436 pagantes eram torcedores de outros times, mas havia bandeiras dos outros clubes grandes nas arquibancadas, algo impensável hoje.

Parece pouco provável que muitos corintianos tenham ido ao Pacaembu depois de comparecer ao jogo de seu time no Parque São Jorge, pois a partida em questão terminou aos quinze minutos do segundo tempo, quando houve uma invasão de campo que fez o árbitro Sílvio Acácio Silveira encerrar o jogo. Foi neste jogo em que Rivellino acabaria suspenso por cinco jogos após chutar o bandeirinha Mário Molina.

O São Paulo ganhou o primeiro jogo por 2 a 1 e precisava apenas de um empate no segundo jogo, em Avellaneda. Mas o Independiente venceu a segunda partida por 2 a 0, forçando uma terceira, em campo neutro (Santiago do Chile). Essa decisão ficaria marcada pelo pênalti perdido por Zé Carlos Serrão, e o Independiente levaria a terceira de suas quatro taças seguidas, ao vencer por 1 a 0.

Ou seja, que rivais mais pés-frios nós tínhamos! ;)

Mas, ao menos, eles não ficavam conclamando a fria execução de personagens de Walt Disney.


Brasileiros ganham, empatam e perdem na Libertadores
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Juca Kfouri



Aconteceram os três resultados que podem acontecer no futebol numa mesma noite de Libertadores para os três times brasileiros que jogaram ontem em São Paulo, em Sucre e em Belo Horizonte.

Mas o resultado em Minas não poderia ter acontecido, porque o Galo perdeu pela segunda vez, agora do mexicano Atlas, 1 a 0, e se complicou, numa noite em que nada deu certo e ainda com o gol fatal no fim.

Já o outro mineiro, o Cruzeiro, com um pouco mais de pontaria teria vencido e saído do 0 a 0 final com o Universitario boliviano, embora o resultado obtido na altitude de 2800 metros seja valioso.

Finalmente, o São Paulo.

Goleou o Danubio uruguaio por 4 a 0, na base do dois vira, quatro acaba.

Não fez nenhuma exibição excepcional, mas fez um gol, o primeiro, antológico, em lance nascido do calcanhar de  Michel Bastos, continuado com uma caneta de Reinaldo e finalizado de primeira, pelo alto, por Alexandre Pato, num desses golaços de tirar o folego dos narradores e que valem o ingresso dos torcedores.

O resumo da noite brasileira na Libertadores é simples: o Cruzeiro estreou bem, o São Paulo se recuperou e o Galo  vai precisar de muita bola e muita fé para chegar às oitavas de final.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015, que você ouve aqui.


Pato brilha, Damião quase
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Juca Kfouri

Aos 4 minutos de jogo o São Paulo fez um dos mais belos gols da história do mais que cinquetenário Morumbi.

Michel Bastos, pelo alto, deu de calcanhar para Reinaldo pela esquerda.

Reinaldo deu uma caneta no lateral do uruguaio Danubio e cruzou.

Alexandre Pato, com a bola à meia altura, de peito de pé, estufou a rede adversária.

Um G O L A Ç O!!!

Digno de todos saírem do estádio para comprar novos ingressos, mesmo tão caros e alvos dos protestos da torcida.

Se Pato marcou aos 4, aos 40 voltou a marcar, agora de cabeça, em cruzamento perfeito de Bruno.

Até aí, se Rogério Ceni fosse um cone teria dado na mesma, porque sem trabalho algum.

No gramado molhado pela chuva forte que castigou a cidade desde às 14h, Pato brilhava e até voar voava.

O São Paulo voltou para o segundo tempo disposto a apenas administrar o resultado e finalmente, aos 14 minutos, Rogério teve de fazer uma defesa, embora fácil, em cobrança de falta.

Aos 23, para ninguém começar a reclamar, Michel Bastos deu para Reinaldo chutar de fora da área e fazer 3 a 0, em bola desviada num defensor uruguaio.

Cinco minutos depois o Danubio ficou com 10 jogadores e o que estava fácil ficou uma moleza.

Ai, aos 43, Cafu ainda fez 4 a 0, para a torcida gritar o nome de Muricy e ele mostrar o distintivo que ele honra muito mais que quaisquer cartolas.

Virou dois, acabou quatro. 

Mas se o segundo tempo foi só para constar, o primeiro gol jamais será esquecido.

Já o Cruzeiro jogou o primeiro tempo na altitude de Sucre de igual para igual com o Universitario local.

Leandro Damião teve, aos 17 minutos, a melhor chance, mas desperdiçou.

O 0 a 0 estaria de bom tamanho se não faltassem mais 45 angustiantes minutos, quando os efeitos dos 2800 metros se fazem sentir.

Acontece que o Cruzeiro começou muito melhor o segundo tempo e logo de cara Damião perdeu outra chance, depois de ter se livrado do zagueiro num drible seco e finalizar muito mal.


Mas, aos 12, Fábio fez milagre para evitar o gol boliviano.

A resposta veio em seguida, primeiro com um belo lance de De Arrascaeta e depois num peixinho perigoso de Damião, que jogou bem, embora tenha faltado o gol.

Decorrida metade do segundo tempo, surpreendentemente, o Cruzeiro estava mais perto do gol que o adversário.

Aos 33, Marcelo Oliveira fez sua terceira substituição, sempre em busca da vitória.

Havia voltado com Willians no lugar de Wiliian Farias, trocado o uruguaio De Arrascaeta por Judivan e, por fim, William por Joel.

Se faltava pontaria no ataque brasileiro, sobrava segurança na defesa, confirmando o acerto da corajosa contratação de Paulo André.

Mas, aos 38, não é que Joel deu um carrinho criminoso num rival e foi expulso sem apelação.

Os 10 minutos finais prometiam sofrimento.

A vitória que parecia possível se transformava num empate razoável.

No Mineirão, não tenha dúvida, o bicampeão brasileiro vencerá por, no mínimo, três gols de diferença.


Atlas tinha o mapa das Minas
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Juca Kfouri



O Galo lutou, mas só lutou, com criatividade zero e com desfalques importantes no Independência com 16 mil torcedores.

Os mexicanos do Atlas se contentariam com o empate, mas, ao perceber o nervosismo dos mineiros, especulou até que, aos 41 minutos do segundo tempo, achou o mapa da mina e fez o gol que decretou a segunda derrota atleticana, que precisará acreditar demais para obter um vaga nas oitavas de final.

Deu pena do Galo.


Timão passeia em Lins, sem forçar
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Juca Kfouri



A passagem corintiana por Lins foi suave: um gol em cada tempo, com Mendoza, que jogou bem, e com Petros, em rebote de chute de Vagner Love.

Apenas pouco mais de 8 mil pagantes num estádio em que cabem 15 mil porque, como se sabe, o interior adora o Paulistinha.

Cássio fez um milagre e foi só o que o Alvinegro sofreu.

Jadson, o novo xodó da Fiel, descansou, assim como Danilo, antigo xodó, e Guerrero, xodó desde 2012, que só entrou no fim.

Mas nem precisava mesmo.


Pepe, 80
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Juca Kfouri



O senhor José Macia, mais conhecido como Pepe, completa hoje 80 anos.

Nenhum outro ser humano marcou tantos gols como ele com a camisa do Santos, nada menos que 405.

O “Canhão da Vila”, o terceiro P do fabuloso trio Pagão, Pelé e Pepe, o quinto atacante da melhor linha ofensiva de todos os tempos, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Os paulistas o chamam de Pépe, os cariocas de Pêpe. 

Mas não importa. 

Pepe chega aos 80 com jeito de que chegará aos 100, e bem.

Pois merece.

O marciano Pelé também acha.