Blog do Juca Kfouri

Haja aula de Português!
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Juca Kfouri

  
Houve uma época em que os locutores de futebol adoravam usar a expressão “haja coração!”, para momentos tensos, decisivos de um jogo ou campeonato.

Perceba que acima não está escrito “ouve uma época” nem “aja coração”, mesmo que uma época possa se fazer ouvir e um coração possa agir.

Porque ambas as palavras com “h” na frase têm a ver com o verbo haver.

Se o presidente do Corinthians não souber fazer tal distinção, tudo bem.

Afinal, faz parte do folclore dizer que nós, corintianos, somos ignorantes etc.

Mas que um presidente do São Paulo, ex-presidente da OAB-SP, não saiba é surpreendente.

Veja a última linha de sua carta a um conselheiro tricolor, por sinal filho do saudoso Marcelo Portugal Gouvêa, que lhe faz oposição.

 


Edinho, a exceção
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Juca Kfouri

Nestes dias duas testemunhas dos bastidores da Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1982, na Espanha, o romântico esquadrão que embeveceu o mundo e perdeu a Copa, abriram a caixa de segredos.

Serginho, centroavante titular porque nem Reinaldo nem Careca puderam disputá-la, que acusou Edinho de envenenar o ambiente.

E o goleiro Waldir Peres, que minimizou a denúncia ao dizer que Serginho não se dá bem com Edinho.

Se em casa que não tem pão todos brigam e ninguém tem razão, neste caso, apesar da derrota, ambos têm na Seleção.

De fato, Serginho e Edinho nunca se bicaram.

Mas não é menos verdade que o quarto-zagueiro Edinho jamais se conformou em ser reserva de Luizinho e fazia sim campanha aberta contra o companheiro.

O ambiente era muito bom mesmo como diz Waldir Peres e Edinho era o insatisfeito de plantão, a exceção que confirma a regra.

Tenho vivo na memória nossa conversa no dia seguinte ao da estreia brasileira contra a União Soviética, vitória brasileira por 2 a 1, em Sevilha, num jogo em que Luizinho fez dois pênaltis não assinalados pelo apitador.

Ao perguntar a Edinho o que ele havia achado do jogo e se concordava que Luizinho fizera dois pênaltis, não ouvi  a resposta à pergunta inicial, só uma exclamação, tão alta e em bom som como possível sobre a segunda:

“Enfim! Ainda bem que alguém viu os dois pênaltis que ele fez!”.

Claro que não tinha sido apenas eu a ver e nem por isso Telê Santana mudou de ideia, pois Luizinho era um senhor zagueiro e combinava perfeitamente com Oscar, o beque-central.


Galo e Timão, tal e qual
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Juca Kfouri

  
 
O que se pode esperar dos clássicos de hoje no Mineirão e em Itaquera?

Uma vitória convincente do Galo sobre o São Paulo e mais uma ranheta do Corinthians em cima do Vasco.

Qualquer coisa fora disso será surpresa, embora o Galo possa apenas vencer apertado e o Corinthians, enfim, golear.

Mas surpresa mesmo será se os anfitriões deixarem de fazer os três pontos que deles se esperam nesta noite.

Os corintianos não admitirão mas, discretamente, estarão na torcida pelo Tricolor que, caso consiga uma improvável vitória, dará a liderança ao rival, desde que, é claro, o Alvinegro cumpra com sua obrigação.

  

 


Em manutenção. Com reflexão
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Juca Kfouri

Pensamento binário

POR VLADIMIR SAFATLE, na FOLHA de hoje:

Há anos, escrevi aqui que um país em involução mental só consegue contar até dois. Seus debates organizam-se a partir de um polaridade simplória na qual nenhum pensamento um pouco mais elaborado é possível.

Tudo deve encaixar em dois conjuntos, sendo que um deles serve apenas para ser sumariamente descartado e esconjurado. Este é um dos aspectos daquilo que Christian Dunker chamou recentemente de “lógica do condomínio” a organizar a vida intelectual do país.

De fato, há algo de cômico em ter que ouvir cada vez mais frases como “Vá para Cuba” ou “Aqui não é a Coreia do Norte” todas as vezes que alguém defende políticas esquerdistas de combate à desigualdade social e de regulação econômica.

Não passa na cabeça destas pessoas que é possível ser radicalmente de esquerda e contrário, por exemplo, ao Estado degenerado que acabou sendo implantado em Cuba. Não, isso é muito complicado para alguém que, no fundo, só consegue pensar com as dicotomias mais primárias da Guerra Fria.
Da mesma forma, é patético ter que receber afagos como “você faz o jogo da direita” todas as vezes que critica de forma dura os descaminhos do governo federal. Normalmente, tais afagos vêm de pessoas que procuram esconder sua capacidade de pensar criticamente sob a fantasia da luta constante e inglória contra as forças do atraso.

Há meses, apareceu em uma livraria um dos títulos mais inacreditáveis que um livro poderia ter: “10 livros que estragaram o mundo”. Entre eles estavam listados obras de Freud, Darwin, Lênin, Hitler, Nietzsche e Marx. Esta é a melhor síntese deste pensamento binário que nos assola nos dias atuais.

Não se trata de dizer que você discorda do encaminhamento de certas ideias. Trata-se de dizer que tais ideias “estragaram o mundo”, que é melhor queimar os livros que as expressam, nunca mais lê-los, colocando-os ao lado de Hitler (que também gostava de falar de livros que estragaram o mundo e que mereciam ser queimados). Engraçado saber que livros que dizem que outros livros estragaram o mundo são o deleite de alguns.

Gilles Deleuze costumava mostrar a grandeza de seu pensamento fazendo algo que irritava mais de um de seus colegas. Mesmo sendo alguém vinculado à tradição do pensamento radical francês, ele não deixava de mostrar a genialidade de certos autores claramente conservadores, como Charles Péguy e Paul Claudel, ou de autores “moderados”, como Henri Bergson. Era uma maneira de mostrar verdadeira abertura ao pensamento e à criação, independentemente de onde ela viesse. Eis um bom exemplo a meditar nos dias de hoje. 

MANUTENÇÃO

Este blog estará fora do ar, em manutenção, durante esta terça-feira.

Na quarta espera estar de volta para acompanhar os clássicos entre Atlético Mineiro e São Paulo, no Mineirão, e Corinthians e Vasco, em Itaquera.


Manutenção
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Juca Kfouri

  
Este blog estará fora do ar, em manutenção, durante esta terça-feira.

Na quarta espera estar de volta para acompanhar os clássicos entre Atlético Mineiro e São Paulo, no Mineirão, e Corinthians e Vasco, em Itaquera.


Marin ganhará o título das bizarrices do ano
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Juca Kfouri


Cada vez que falam os advogados de José Maria Marin sobre as reações dele na prisão suíça fica mais claro o quanto o ex-presidente da Casa Bandida do Futebol é bizarro.

Primeiro disseram ao “Blog do Perrone” que a conversa gravada de Marin com J.Hawilla, quando ele pediu que o dinheiro que era entregue a Ricardo Teixeira fosse destinado aos novos comandantes da CBF, era uma “pegadinha”.

Agora, dizem que ele disse que no Brasil estaria solto.

Pois deveria ter acrescentado: solto e homenageado.

O que não fala bem do país.

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 28 de julho de 2015, que você ouve aqui.


Nem graça, nem sentido
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Juca Kfouri

   
Já estranhamos aqui a ausência do brasileiro Ari Graça, presidente da Confederação Internacional de Voleibol, na fase final da Liga Mundial de vôlei masculino na cidade do Rio de Janeiro, estado do Rio, no Brasil, na semana passada.

Pois mais estranho ainda ficou ao vê-lo ontem,  de gravata vermelha na foto, em Omaha, no Nebraska, Estados Unidos, na fase final do Grand Prix de vôlei feminino. 

Verdade que o FBI não está investigando nada em relação à FIVB e a PF e o MPF estão investigando tudo sobre a CBV, que Graça presidia. 

Faz sentido?

Tem graça?


Brasileirão volta ao normal
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Juca Kfouri

O Galo lidera sozinho porque merece e o Corinthians não lhe faz mais companhia porque não merece.

A diferença entre um e outro é gritante: o líder joga e deixa jogar, por isso marcou 29 gols e sofreu 13 em 15 jogos para chegar a 32 pontos.

Já o vice-líder não joga e não deixa jogar. Daí ter marcado apenas 17 gols e sofrido nove, o último, do Coritiba, nos acréscimos, para aprender a não se acovardar.

O Brasileirão voltou ao de sempre, a não ser pela atuação do Palmeiras, que estraçalhou o Vasco em São Januário num jogo de cinco gols, 4 a 1 para os alviverdes, com o que a 15ª rodada do campeonato que tinha apenas 15 gols chegou aos 20. É pouco, mas melhor que apenas 1 gol e meio por jogo.

Porque a média de público voltou ao de sempre: 15 mil torcedores por jogo depois que, na rodada passada, nos lambuzamos todos com 25 mil torcedores por partida.

O Santos saiu da zona do rebaixamento e Guerrero, se não fez gol, deu o passe para Marcelo Cirino decretar a vitória do Flamengo contra o Goiás, no Serra Dourada.

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 27 de julho de 2015, que você ouve aqui.