Blog do Juca Kfouri

Xingar o juiz não pode. Xingar a CBF pode
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Juca Kfouri

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O jogador corintiano Emerson Sheik, emprestado ao Botafogo, xingou o árbitro Igor Benvenutto, que o expulsou de campo no jogo contra o Bahia, de “safado, sem vergonha e vagabundo”.

Ao sair do gramado, Emerson não deixou por menos e disse três vezes que a CBF é uma “vergonha, vergonha, vergonha!”.

Por ofender o juiz, Emerson foi julgado ontem no STJD e pegou quatro jogos de suspensão.

No mesmo julgamento foi absolvido por ter dito que a CBF é uma “vergonha, vergonha, vergonha!”.

Em mais um capítulo para o folclore do circo do STJD firmou-se notável jurisprudência: o apitador é inatacável, mas a CBF é como a Geni, da música de Chico Buarque de Hollanda.

Pode-se jogar pedra à vontade nela.

Afinal, ela é “feita para apanhar, ela é boa de cuspir”.

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 30 de setembro de 2014.


Enganar é a verdadeira mágica de Valdivia
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Juca Kfouri

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O torcedor tem razões que a própria razão desconhece.

Porque, em regra, o torcedor tem emoções.

E emoções razão alguma conhece.

Veja o caso de Valdivia.

O torcedor palmeirense o venera porque, de fato, ele tem talento.

Nada que o faça nem sequer titular da seleção chilena, mas tem lá mesmo suas habilidades.

O que, no entanto, o Palmeiras ganhou com ele?

O título paulista de 2008, em goleada de 5 a 0 sobre a Ponte Preta no Parque Antarctica e a Copa do Brasil, em 2012, na polêmica decisão com o Coritiba.

Mesmo assim, na final, no Couto Pereira, empate em 1 a 1, ele faltou, expulso que fôra no primeiro jogo, em Barueri, por ter ameaçado jogar a bola num adversário já com um cartão amarelo nas costas.

Naquele jogo, vitória por 2 a 0, fez o primeiro gol em cobrança de pênalti duvidoso (o segundo, de Thiago Heleno, no segundo tempo, também nasceu de bola parada em cobrança de falta por Marcos Assunção), aos 46, depois que o time coxa desperdiçara, no mínimo, quatro grandes chances de gol –, além de um pênalti escandaloso não marcado sobre Tcheco.

Em resumo: Valdivia jamais foi decisivo apesar de ter bola para tanto.

O que mais faz é deixar o Palmeiras na mão, como na final diante do Coritiba, como recentemente contra o Flamengo, como ontem ao não fazer o gol definitivo por irresponsabilidade.

Mas os palmeirenses gostam dele.

Fazer o quê?

Deixá-lo rindo da cara de todos enquanto, magicamente, engana um a um.


Os imparciais
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Juca Kfouri

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O brasileiro João Havelange presidiu a Fifa entre 1974 e 1998.

Durante sua gestão a Seleção Brasileira jejuou em quatro Copas do Mundo até ganhar uma, em 1994, a derradeira sob sua administração.

Ele se orgulhava disso, como prova de imparcialidade.

O campineiro Eduardo José Farah presidiu a FPF entre 1988 e 2003.

Durante sua gestão o Guarani de seu coração, campeão brasileiro de 1978, não ganhou nem um campeonato estadual.

Ele também se orgulhava disso, como prova de sua imparcialidade.

O paulista José Maria Marin assumiu a CBF em março de 2012 e de lá para cá os times de São Paulo têm passado em branco no Brasileirão.

No ano passado nem sequer se classificaram para a Libertadores, coisa que não acontecia havia 15 anos.

Nesta temporada não será surpresa se o fato se repetir.

Ele se orgulha disso, assim como seu braço direito, o também paulistano Marco Polo Del Nero, como prova de imparcialidade.

Melhor mesmo é se dedicar aos contratos de patrocínio, às construções de sedes novas, museus, reforma de propriedade etc.

Afinal, obras imortalizam, títulos são passageiros.

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Viva Inter e tchau Valdivia!
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Juca Kfouri

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O Cruzeiro passou em branco pela quarta vez em 25 rodadas do Brasileirão e, ao empatar 0 a 0 com o Sport, no Recife, permitiu a aproximação do Inter que venceu o Coritiba por 4 a 2 e ficou a seis pontos do líder.

Cruzeiro e Inter vão se enfrentar no sábado que vem, no Mineirão, e uma improvável, mas possível, vitória gaúcha ainda manterá viva a luta pelo título.

De resto, São Paulo e Corinthians descem a ladeira e Galo e Grêmio sobem.

Mas quem merece descer às profundezas é Valdivia que, mais uma vez, por irresponsabilidade, impediu a vitória do Palmeiras sobre o Figueirense ao deixar de fazer o gol do 2 a 0 e ver em seguida seu time levar a virada de 3 a 1.

O Palmeiras segue na zona do rebaixamento e sua sorte pode ser decidida hoje no circo do STJD: Valdivia será julgado por ter pisado num adversário e caso pegue uma suspensão longa talvez o Palmeiras tenha chance de sobreviver.

Porque com ele em campo parece que a queda será inevitável.

A 25a. rodada teve 26 gols e média de público na casa dos 17 mil pagantes.

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Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 29 de setembro de 2014, que você ouve aqui.


Inter mantém o Brasileirão vivo e Valdivia tortura o Palmeiras
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Juca Kfouri

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Ao vencer bem o Coritiba no Beira-Rio com gols de D’Alessandro, Alex e dois de Eduardo Sacha, por 4 a 2, 3 a 1 no primeiro tempo, o Colorado ficou a seis pontos do Cruzeiro e terá o país inteiro ao seu lado no sábado que vem, no Mineirão, quando terá a chance de diminuir a distância para apenas três pontos.

Comparadas as campanhas de um e outro, é improvável que aconteça, mas até os gremistas, embora não confessem, torcerão pelo Inter.

Em Porto Alegre o jogo esteve paralisado por falta de iluminação durante 16 minutos. Imagina se acontece na Copa…

Em Floripa, o Palmeiras, com gol de Cristaldo aos 34 minutos do primeiro tempo, ganhava do Figueirense, a quem dominava, e só não venceu porque Valdivia, para variar, preferiu fazer um brilhareco em vez de marcar o segundo gol no segundo tempo.

Daí, num gramado pesado por causa da chuva, uma saída horrorosa de bola de Deola permitiu o empate catarinense e a virada em seguida, em menos de dois minutos — Clayton fez os dois gols, aos 32 e 33 minutos.

No quarto minuto, aos 36, Marcão fez 3 a 1.

O Palmeiras tinha o jogo controlado e foi mais uma vez vítima da irresponsabilidade do chileno que insiste em escalar e pagar alto salário.

Seria o caso de dizer bem feito, não fosse o sofredor palmeirense que não merece vê-lo com a camisa verde no papel de quem tortura as melhores esperanças do torcedor.

Foi assim na irresponsável expulsão contra o Flamengo e foi assim hoje ao não fazer o gol da vitória.

Fatalmente ele pedirá desculpas e, pior, a dupla Brunobre aceitará.

No fim, Nathan foi expulso de campo por imitar Valdivia e pisar num adversário.

Aliás, a sorte do Palmeiras pode estar na suspensão que o chileno pegará amanhã no circo do STJD.

Outro time de camisa verde, o Goiás, também perdeu, para o Santos, por 2 a 0, gols de David Braz e Geuvânio, um em cada tempo.

Parece que o Goiás esgotou seu estoque de gols depois dos 6 a 0 sobre o Palmeiras, embora hoje, no Pacaembu, tenha feito um em que a bola entrou e o assoprador não viu.

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Mano desce, Felipão sobe, Tardelli salva e Mengo só com a mão
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Juca Kfouri

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O Corinthians fez um primeiro tempo inteiro na Arena da Baixada na base do chove mas não molha.

Teve a bola a maior parte do tempo, mas jamais a chutou ao gol.

O Furacão, ao contrário, se defendeu na perfeição e contra-atacou com perigo até, em pênalti cometido por um irreconhecível Elias, fazer um 1 a 0 no fim, aos 41, em cobrança de Cléo, que sofrera a falta.

O segundo tempo mostrou um Alvinegro tenso e um Atlético ainda mais fechado, apostando em pegar os paulistas desprevenidos para matar o jogo.

As faltas se sucediam no campo paranaense e o Corinthians não aproveitava uma bola parada sequer, além de errar passes em profusão.

Mano Menezes foi tentando ao tirar Petros e Renato Augusto para botar Romero e Danilo em busca de um objetividade para o tico-tico corintiano.

Também Jadson entrou no lugar de Bruno Henrique, em vão porque nada afetou o Furacão.

Enquanto o time de Mano sucumbia e caía para o sétimo lugar, o de Felipão, no Rio, subia, ao bater o Botafogo por 2 a 0, com mais dois gols de Barcos, em jogo que teve o Grêmio sempre mais perto da vitória.

Outro Atlético, o Mineiro, em casa, sofreu, mas bateu no Vitória por 2 a 0, gol salvador de Diego Tardelli no fim e, mais no fim ainda, de Guilherme.

Galo e Grêmio, em quarto e quinto lugares, já têm o mesmo número de pontos do São Paulo, em terceiro: 43.

Mas foi também uma tarde feliz para o futebol baiano porque, na Fonte Nova, o Bahia fez 2 a 1 no Flamengo, com dois gols de Emanuel Biancucchi e um de Eduardo Silva quando já estava 2 a 0 para o tricolor.

Se pela manhã a nação rubro-negra festejou a grande conquista da Taça Intercontinental de basquete, ao vencer, por 90 a 77, o Macabi de Israel, à tarde lamentou mais um tropeço.

Tudo bem. Com o pé não, mas com a mão o Flamengo é campeão.


Taças, suor e lágrimas
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Juca Kfouri

No sábado que vem, dia 4 de outubro, das 10 às 18h, no Memorial da Resistência, Largo General Osório, 66, na Luz, em São Paulo, durante a Terceira Feira de Livros da Resistência, entre outros, será lançado o livro “Com a Taça nas Mãos, pelas Lamparina Editora e FAPERJ, de Lívia Gonçalves Magalhães.

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No ano da realização da Copa do Mundo no Brasil e do aniversário de 50 anos do golpe civil-militar brasileiro, as discussões em torno das históricas relações entre futebol e política parecem ter ganhado maior retumbância.

Foi assim também nas Copas de 1970, no México, vencida pela seleção brasileira, e de 1978, na Argentina, conquistada pela seleção da casa, quando os governos dos países das duas equipes campeãs foram acusados de usarem os Mundiais para fins políticos, em vista dos regimes civil-militares pelos quais passavam à época.

Afinal, em meio às euforias dos campeonatos, partidas e conquistas dentro de campo, havia uma série de repressões, denúncias e torturas acontecendo no Brasil e na Argentina.

Mas, ao mesmo tempo, as Copas do Mundo foram também um espaço de distintas manifestações sociais, que vão além da dicotomia apoio × resistência.

Seria certo, então, afirmar que as Copas foram “ferramentas” utilizadas pelos governos das ditaduras brasileira e argentina?

A historiadora Lívia Gonçalves Magalhães faz uma ampla pesquisa e analisa as relações que podem ser apontadas entre os Mundiais de 1970 e de 1978 e as ditaduras no Brasil e na Argentina, assim como o papel da sociedade nesses processos.

A autora tenta driblar os anacronismos, na difícil tarefa de captar os processos históricos tais como aconteceram, traçando comparações, semelhanças e diferenças, e buscando explicações e interpretações.

A proposta do livro, 176 páginas, R$ 35, é fazer uma cuidadosa investigação sobre o assunto, tentando desmitificá-lo e fugir de conclusões simplistas.

Lívia Gonçalves Magalhães é Mestre em Estudios Latinoamericanos pelo Centro de Estudios Latinoamericanos da Universidad Nacional de San Martín (2008) e doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense (2013).

É também autora do livro Histórias do futebol (APESP, 2010), além de escrever nos blogs Hispanic American Historial Review (da Universidade de Duke) e Clube da Bolinha, por Luluzinhas.


Lições em Brasília e Minas
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Juca Kfouri

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Se há uma coisa que está clara no Distrito Federal é que o eleitorado no quer reeleger governador o ex-ministro do Esporte, péssimo, por sinal, Agnelo Queiroz.

Ele perdia nas pesquisas eleitorais para o ex-presidiário José Roberto Arruda por 37% a 19% até que Justiça eleitoral proibiu sua candidatura.

Tanto bastou para que Rodrigo Rollemberg, então com 18%, saltasse para 35%, deixando Queiroz na poeira, com 22%, todos os dados da penúltima e da última pesquisa do Datafolha.

Humilhação semelhante só mesmo a que Aécio Neves vem sofrendo em Minas Gerais, em segundo na corrida presidencial no estado em que amordaçou a imprensa, e reinou graças à herança do avô, incapaz também de eleger seu candidato a governador.

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Fluminense sobra e ganha bem a batalha tricolor
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Juca Kfouri

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Um jogo morno no primeiro tempo entre os tricolores, com apenas um chute perigoso de Conca, de longe, no começo, e duas boas chances desperdiçadas por Pato, no fim, virou uma partida eletrizante no segundo.

Com quatro gols!

Fred abriu o placar aparecendo livre na cara de Rogério para fazer o gol de primeira e Pato empatou em seguida, quase do mesmo jeito.

Foi Conca quem serviu Fred e foi Kardec, em impedimento, quem passou para Pato.

Ninguém estava feliz com o empate e os dois precisavam vencer no Morumbi, com apenas 16.131 torcedores.

E, aos 27, Fred achou Wagner pela esquerda para ver o companheiro livrar-se do zagueiro e finalizar com perfeição.

Luís Fabiano entrou no lugar de Kardec aos 31, para tentar evitar o quarto mau resultado seguido do São Paulo, como se os deuses dos estádios estivessem castigando seu presidente pela lambança feita exatamente no melhor momento do time no Brasileirão.

O quarteto tricolor, que junto chegara a vencer os 21 pontos que disputara, ficou no empate contra o Flamengo e perdeu sua invencibilidade diante do Fluminense.

O jogo era pegado, viril, com divididas imprudentes dos dois lados.

Experiente, o Flu passou a cozinhar o nervoso rival para fazer o tempo passar.

Até que Conca, batendo falta como se fosse com a mão, aos 43, fez o gol do 3 a 1 e matou o jogo, numa grande vitória.

Já o São Paulo, que ainda teve, aos 42, a chance de empatar com Osvaldo, o que Cavalieri impediu, vê sua vida complicada e se despede do título.

Não é só Muricy Ramalho que está doente.

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Pela quarta vez, Cruzeiro passa em branco
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Juca Kfouri

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O líder Cruzeiro, melhor ataque do Brasileirão com 49 gols em 25 jogos, acaba de empatar sem gols pela segunda vez no campeonato.

Também fora de casa, como na primeira vez em Criciúma, agora no Recife, contra o Sport.

Este foi o quarto jogo no torneio sem gols cruzeirenses, somando-se aos dois jogos em que foi derrotado pelo Corinthians e pelo São Paulo.

Nada que aflija a estupenda campanha mineira que, na pior das hipóteses, fechará a rodada seis pontos adiante do vice-líder.

Mesmo sem repetir suas melhores atuações, o Cruzeiro foi superior ao Sport na Arena Pernambuco (23.236 torcedores) tanto que o goleiro Magrão foi o melhor jogador do time pernambucano.