Blog do Juca Kfouri

Fifa 15 sem clubes, mas com a Seleção, do Brasil
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Juca Kfouri

POR RAFAEL BELATTINI

Videogame já deixou de ser coisa de criança faz tempo (se é que um dia foi), mas agora surgiu uma notícia de que o Fifa 15 não terá os clubes brasileiros para o jogo.

Eu vivia a expectativa até de termos os estádios da Copa, já modelados para o jogo do Mundial, mas agora nem os clubes teremos.

Tudo por que negociar aqui é uma complicação enorme.

Não existe uma liga, não existe quem venda a marca como um todo e sempre tinham que negociar clube por clube.

Pelo jeito cansaram, não se sentiram seguros com relação à licença dos jogadores, já que não temos uma liga de atletas, e não teremos clubes brasileiros.

O jogo concorrente, PES, terá todas as equipes, como vem acontecendo nos últimos anos.

Mas é um jogo que perdeu muito do mercado desde 2009 e vem apostando na América Latina para seguir vivo, trazendo a Copa Libertadores.

De qualquer forma, os clubes brasileiros perdem o espaço no mais popular game de futebol do mundo.

E não vai fazer tanta diferença, pois muitos preferem mesmo é jogar com os europeus.

Ah, os direitos da seleção brasileira estão negociados e o time dos 7 a 1 estará com camisa oficial e tudo mais.

Ou seja, a CBF acertou o dela e os clubes que se virem.

Perdem uma forma de exposição de marca, perdem dinheiro da negociação (sei lá se é muito ou se é pouco, mas é) e perdem espaço no momento de lazer do torcedor, principalmente dos jovens, que vão continuar conhecendo melhor o elenco do Tottenham do que do Corinthians, Palmeiras, Flamengo..


Minha primeira, e última, conversa com Julio Grondona
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Juca Kfouri

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Toca o telefone e um número estranho aparece no visor.

Atendo e do outro lado alguém falando espanhol se apresenta como Don Julio.

“Que Julio?”, pergunto.

“Don Julio Grondona”, diz ele, aos berros e começando um pito inintelegível.

“Não grite comigo que gritarei mais alto com o senhor”, reajo.

“Você me comparou a Teixeira e eu não posso admitir”, retruca Grondona.

De fato, em entrevista ao diário argentino Olé, eu dissera que a imprensa brasileira derrubara Teixeira e a argentina não conseguira o mesmo com Grondona.

Mas a queixa dele era a comparação com o ex-presidente da CBF.

E isso que foram grandes aliados…

Grondona era vice-presidente da Fifa e presidente da Associação de Futebol da Argentina desde 1979!

Morreu hoje, aos 82 anos.

O edificante diálogo se deu em junho do ano passado, durante a Copa das Confederações.


Proforte “fora-da-lei”
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Juca Kfouri

No centro das discussões sobre a mudança necessária no futebol a partir do fracasso da seleção brasileira na Copa do Mundo está o Proforte, projeto de lei que renegocia a dívida bilionária dos clubes.

A proposta, no entanto, apresenta um ponto contraditório e que foi ignorado pelos deputados que a aprovaram na comissão especial na Câmara Federal.

A questão é: os nobres parlamentares foram incompetentes ou foram mal intencionados?

O “descuido” enfraquece ainda mais o Proforte porque o revela como um projeto “fora-da-lei”.

O problema está descrito no voto do substitutivo apresentado pelo próprio relator da proposta, Otávio Leite (PSDB-RJ), em que destacou que a isenção de imposto de renda da Timemania configura renúncia de receita e, portanto, desrespeita a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Ele está corretíssimo, mas, contraditoriamente, manteve a isenção do tributo.

Leite foi adiante e ainda ampliou a isenção para as novas loterias (Loteca, Lotex e Lotogol) a serem criadas para resguardar a saúde financeira dos clubes de futebol, como se essa fosse sua atribuição e não defender os interesses do contribuinte brasileiro.

A regra é clara: as duas leis supracitadas estabelecem que “as proposições legislativas sejam acompanhadas de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois anos seguintes” e também da “correspondente compensação”. Segundo o parecer do parlamentar carioca os requisitos exigidos não foram cumpridos.

Ora, o que faria então um deputado federal, responsável por criar leis e advogado por formação, passar por cima de duas normas federais?

Para justificar sua atitude questionável Otávio Leite alega ainda em seu voto, que a isenção do imposto de renda sobre o prêmio da Timemania, Loteca, Lotogol e Lotex vai tornar as loterias mais atraentes e pode gerar um incremento nas apostas e na arrecadação.

Pode ser, mas segundo fontes da Receita Federal e do Ministério da Fazenda as contas e a previsão orçamentária já deveriam ter sido calculadas conforme exige a legislação.

Os ministérios da Fazenda e do Planejamento detectaram esse e outros dispositivos capciosos e elaboraram relatórios contra o Proforte.

Os documentos já foram encaminhados para a Casa Civil, no Palácio do Planalto.

O Proforte pode ser votado na semana que vem no plenário da Câmara dos Deputados e, se aprovado, passa a bola ao Senado Federal.

Atualização às 16h45: Um passarinho acaba de contar que o governo não aprovará nada que extrapole a renegociação das dívidas, ou seja, deixará loterias etc fora da discussão.


O braço de ferro no Proforte
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Juca Kfouri

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Está em andamento, com previsão para ser votado na semana que vem no Congresso Nacional, o projeto que trata das dívidas dos clubes e suas contrapartidas.

Cada vez os clubes pedem mais benefícios e menos responsabilidades diante da postura firme do Bom Senso FC que procura equilibrar a balança, ou seja, à cada benefício uma responsabilidade correspondente.

A cartolagem, para variar, aposta em ganhar mais oxigênio para seguir prevaricando e tanto o governo quanto o Congresso não podem voltar ao enredo do “me engana que eu gosto”.

Se depois do 7 a 1 a cartolagem ganhar novo presente, na próxima Copa, se o Brasil estiver nela, a tunda será de 14 a 1.

É, a um mesmo, porque só a lambada será em dobro.


Era uma vez
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Juca Kfouri

POR LUIZ GUILHERME PIVA

1. Rolha
Ele cuidava das roupas, das chuteiras e das bolas. Sacos pra lá e pra cá – pra recolher, tudo sujo, ou pra entregar, tudo limpo.

Cuidava das coisas no fundo do campo, no tanque, nas bacias e nos varais entre as árvores. Seu quarto e seu banheiro de reboco, o colchão de palha, tralhas de todo tipo.

Ainda tomava cascudo e aguentava gozação por causa da estatura e da barriga: “Pipa”, “Barril”, “Bujão”, “Tonel”.

Ali, sozinho.

Mulher não era o caso. Esse segredo ninguém traía.

Zero de salário. Ainda achava bom. Ter pouso e gorjetas, pratos de comida dos vizinhos e dos atletas.

Só que juntava calado.

Uma camisa aqui, duas bolas ali, chuteira de vez em quando, quem dava falta?

Vendia bem, longe, família doente, todo semestre.

Desde rapazinho.

Quando já estava gordo demais, e o resto do cabelo era branco, e as rugas e o papo eram horríveis, e o reboco já estava caindo, e não conseguia mais pendurar nada nos varais, foi mandado embora.

Cinquenta anos ali – e nada.

Mas vai lá ver: construiu casa em lote próprio, de laje, tijolo e pintura, mobiliou, tem uma mocinha que ajuda a cozinhar e limpar.

E ainda mantém guardadas camisas, chuteiras e bolas (onde?) que parecem não ter fim.

Sempre tem uns rapazinhos chegando da roça, querendo treinar no time, sem ter onde ficar.

Acabam ficando ali.

2. Ciclo
Com o fim do ouro, sobrou quase ninguém. Mal e mal dá pra completar dois times.

E quando tem jogo acaba em briga, facada, tiro, depois vai cada um pro seu nada, pro seu dessonho, sua antipartida.

Sempre com menos gente do que começou.

Desse jeito vai acabar ficando como no início.

Não tinha ninguém.

Depois é que foi aquela montoeira.

Domingo o futebol lotado de gente de todos os lugares.

Agora ficou essa tristeza de pouca gente, a aguaceira de barro fedorento onde tinha a serra, os buracos em todos os lugares. Calor do pavio ao fio.

Cada um com seu berro, sua faca, sua enxada, seu ancinho.

Fingindo que tudo recomeça quando tem pelada.

Mas é aquilo.

Menos e menos gente, sempre menos.

Não demora não tem time nenhum.

Sabe coados? Então. Estamos sendo coados.
_________________________________
Luiz Guilherme Piva lançou “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras)


Tudo como dantes no quartel de Abrantes
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Juca Kfouri

Nesta altura do campeonato, há exatos 19 anos, os seguintes times tinham os mesmos técnicos que têm agora:

Flamengo

Grêmio

São Paulo

Atlético Mineiro

Internacional

Quer dizer… nada a dizer.


A volta do filho pródigo
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Juca Kfouri

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Felipão está de volta ao Grêmio.

Porque não está morto quem peleia, bem à moda gaúcha.

Felipão só não seria o novo técnico tricolor se não quisesse e ninguém saberia de sua recusa.

Porque ele e o presidente gremista, Fábio Koff, têm laços de sangue.

Koff jamais deixaria de convidá-lo porque seria como condenar o técnico ao ostracismo.

O Grêmio de Felipão é o paradigma do que o Grêmio buscou ser desde que não teve mais Felipão.

Agora será hora de ver se conseguirá voltar a sê-lo.


Ronaldinho Gaúcho, o mal e bem-amado
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Juca Kfouri

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Ronaldinho Gaúcho nasceu no Grêmio, virou ídolo e do Grêmio saiu chamado de traidor.

Brilhou na Europa, foi eleito o melhor do mundo duas vezes e voltou ao Brasil pelo Flamengo.

Onde também chegou a ser ídolo para de lá sair pela porta dos fundos.

O Galo o acolheu no que parecia ser uma tremenda bobagem.

Ontem, depois de dois anos, ele rescindiu seu contrato com o alvinegro mineiro.

Como ídolo para sempre, fundamental na conquista inédita da Libertadores do ano passado.

Em duas temporadas européias, em 2004/05, Ronaldinho pintou como um gênio do porte de Maradona, de Garrincha, quase de Pelé.

Mas só pintou e ficou no quase porque entre se aprimorar como jogador e viver feito um popstar preferiu a segunda via.

Seja como for, campeão mundial pela Seleção Brasileira em 2002, da Liga dos Campeões da Europa pelo Barcelona em 2006 e da Libertadores pelo Atlético Mineiro em 2013, está na história do futebol mundial.

Catalães e atleticanos jamais se esquecerão dele.

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 29 de julho de 2014, que você ouve aqui.


Obrigado, Bruxo!
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Juca Kfouri

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Por FREDERICO BERNIS*

Era junho de 2012, acho. Eu estava trabalhando quando recebo a ligação de um amigo que estava de licença médica:

- Cê tá vendo o que eu tô vendo?

- Não. O que?

- O Ronaldinho está no CT do Galo treinando com o time!

- Como assim?

- Uai, parece que ele acertou com o Galo!

Nem acreditei. Entrei na internet e era verdade. Helicópteros sobrevoavam a cidade do Galo pra fazer as imagens. O Brasil todo comentando, a maioria das pessoas achando que tinha sido uma grande burrada do Kalil. Eu não. Na mesma hora tive certeza que ia dar certo: “Não tem como dar errado, gente. O Ronaldinho no seu pior dia é mil vezes melhor que o Escudero”. O Escudero era o nosso 10 na época.

A partir dali, a gente começou a ir ao campo e ver um espetáculo diferente. Tinha futebol mas tinha um quê de circo também, de show. Você chegava no Horto e lá estava o cara com a camisa do Galo, número 49. Quatro mais nove, treze. E era um tal de passe sem olhar, chapéu de canela, calcanhar no ar, cobrança de falta rasteira por baixo da barreira. Um repertório infinito de bruxarias que até quem assistia ao vivo tinha dificuldade de acreditar. Na arquibancada, eu via a torcida dando risada das jogadas do cara. Chegava a ser engraçado ver o que ele fazia com a bola na frente dos adversários mais difíceis.

Esse cidadão mudou tudo. Quem jogava mal passou a jogar bem. Bernard com 20 anos começou a jogar com confiança de veterano. Tardelli estava no Catar e quis voltar de qualquer jeito pra jogar no Galo com o cara. Só quem não mudou foi a torcida, porque a torcida do Galo não muda nunca.

Depois de mais de nem sei quantos anos sem disputar o torneio, vi o Galo começar a Libertadores voando. No primeiro jogo, o Bruxo deu a assistência pros 2 gols, e com requintes de crueldade. Quem não se lembra do garçon Rogério Ceni ali, com a toalhinha na mão, servindo água pro seu ídolo? Em seguida vimos o Galo começar perdendo um jogo na Argentina e depois meter cinco, com um pé nas costas. O pé de um monstro chamado Ronaldinho, que encaixou sucessivas assistências pra Bernard, Tardelli, Jô…

Vi, sob sua batuta, um time brasileiro ganhar um jogo na altitude de La Paz. E vi num lance, no jogo da volta contra os bolivianos, esse bruxo recuar, recuar e recuar com a bola como quem não queria nada. Na arquibancada, do meu lado, algumas pessoas reclamaram: “Pô, Ronaldinho! Vai pra cima dos caras!” Aí, de repente, ele espeta de costas um passe de mais de 30 metros rasgando a defesa toda pra encontrar lá na frente, do outro lado, o Marcos Rocha dentro da área. Pênalti! De dentro do campo, perseguido por dois adversários, ele vislumbrou de costas uma jogada que eu da arquibancada não tinha percebido. Foi o passe mais fantástico que eu já vi na vida. Eu me senti um cego perto daquele cara. Dava vontade de rir. Ou de chorar. Sei lá. Esse cara confunde muito a gente.

Aí, no outro jogo, ele entra na área pela esquerda e dá uma cavadinha. Todo mundo esperando uma coisa, mas a bola descreve uma trajetória diferente e entra por cobertura no mesmo canto onde está o goleiro que, coitado, não entendeu nada. Uma coisa impressionante, senhoras e senhores. Metemos cinco gols novamente e quando eu saio, vejo os comentaristas achando que ele não queria fazer o gol daquele jeito, que tinha sido sem querer. Da mesma forma que acharam que foi sorte quando ele fez aquele gol de falta na Copa de 2002, por cima do Seaman, goleiro inglês. Ele é assim. É tão craque que a gente não acredita que ele quis fazer aquilo. Mas ele quis, gente. Aceitem: ele quis. Ele é bom assim.

No jogo contra o São Paulo, quando ele provocou os caras falando que “quando tá valendo, tá valendo” eu fiquei preocupado: pra que botar pilha no adversário? Isso acaba motivando mais e tal… Mas ele não tava nem aí. Cruzaram uma bola na área e ele deu um totó de cabeça que a bola demorou uns 40 segundos pra beijar a rede. É igual aqueles pesadelos que você precisa correr mais não sai do lugar. O Rogério Ceni e o beque ficaram ali, pesando uns 700 quilos cada um, sem conseguir se mexer. Até hoje estão jogando a culpa um no outro. Esquenta não, gente, a culpa não é de vocês. Vocês apenas foram mais duas vítimas da bruxaria do R10.

Tanto que no jogo do Horto ele repetiu a dose jogando novamente os são paulinos um contra o outro. Ele ali, na beiradinha do campo, fez que estava perdendo o domínio da bola, só o suficiente pro volante fogoso dar o bote. O pobre rapaz entrou com força, chutando tudo que via pela frente. Imagino que por um breve momento o impetuoso volantão tenha ficado satisfeito, pensando: “consegui! Matei a jogada!”. Mas o urro delirante da torcida do Galo o alertou para o engano. Coitado, tinha ficado sem a bola e a dignidade. Levou uma caneta lisa e ainda chutou sem querer seu companheiro de time que passava por ali e acabou alvejado. Aos futuros marcadores desavisados, segue um recado caridoso: nunca caiam nessa. Ele nunca perde o controle da bola. Nunca.

Vi, num jogo contra o Inter no sul, o Victor dar um bicão pro alto na reposição de jogo. A bola viajou como num saque jornada nas estrelas e foi na direção do Ronaldo. Chovia muito, o campo estava encharcado, jogo pesado. Os marcadores correram tentando interceptar a bola antes, mas ele chegou primeiro e dominou a bola que vinha pesada do espaço com o peito do pé de um jeito que ela morreu ali mesmo, sem nenhum quique, nenhum barulho, nada. Simplesmente a bola morreu. Os zagueiros do Inter, tadinhos, viraram de costas e saíram correndo apavorados. Não acreditaram no que tinham acabado de ver. Eu também confesso que fiquei ali uns 15 minutos sem acreditar. O tempo passava, o jogo rolando e eu ali ainda agarrado àquela matada de bola, tentando decifrar o que tinha acontecido.

Esse dois anos que ele passou aqui mudaram a nossa vida. Não só por causa dos títulos, principalmente o da Libertadores, mas por mostrar pra gente o tanto que futebol pode ser bom. Eu achava que a melhor coisa do futebol era torcer pro Galo, mas me enganei. A melhor coisa do futebol é torcer pro Galo do Ronaldinho. Ou pro Ronaldinho do Galo, sei lá. Esse cara confunde muito a gente.

Agora, infelizmente, chegou a hora desse sonho acabar. O Bruxo vai embora fazer suas bruxarias em outra freguesia. Sei que ele já não vinha repetindo as atuações históricas que nos acostumamos a ver. Mas não consigo esquecer o que ele fez. Ir ao Horto ver R10 jogar com a nossa camisa, a famosa camisa preto e branca que nos faz torcer contra o vento, foi o melhor que o futebol me deu até hoje.

Obrigado, R10. Obrigado, Bruxo.

*Frederico Bernis é arquiteto.


O Palmeiras de Gareca
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Juca Kfouri

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O Palmeiras perdeu pela terceira vez seguida neste Brasileirão.

O Palmeiras já teme cair pela terceira vez para a Segunda Divisão.

O que rima, mas não é solução.

O que o Palmeiras não pode é perder a paciência.

A paciência que deve ter com seu técnico, o argentino Ricardo Gareca.

Porque o Palmeiras tem um elenco modesto, sem estrelas e com apenas um caminho: apostar no conjunto, no jogo coletivo, coisa que Gareca já provou saber organizar nos times que dirigiu e até mesmo no Palmeiras.

Gareca não inventou desculpas depois do Dérbi ontem.

Apenas lembrou, com razão, que o Palmeiras perdeu três vezes para adversários que estão no topo da tabela, no G-4: Santos, Cruzeiro e Corinthians — os dois clássicos estaduais fora de casa, lembro eu.

Por limitado que seja o elenco alviverde, é melhor que os elencos do Figueirense, do Bahia, do Coritiba (ah, se Alex estivesse no Verdão…) do Vitória, da Chapecoense, Criciúma e do Botafogo, pau a pau com o do Flamengo.

Ou seja, dá para brigar pelo 12o. lugar assim que se entrosar mais com o que quer seu treinador.

O Palmeiras só não pode se desesperar.

Precisa ter a humildade de reconhecer suas limitações circunstanciais para, mais adiante, voltar a ser o que sua imensa torcida merece que seja.

Trata-se de um processo penoso, de, no mínimo, médio prazo, mas que tem saída.

Desesperar, jamais!