Blog do Juca Kfouri

Comando da Seleção arruma briga com Zico
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Juca Kfouri

  
Era só o que faltava.

Um dia depois de voltar para casa com o rabinho entre as pernas, eliminada pela seleção paraguaia, a cúpula da Seleção Brasileira achou de arrumar encrenca com ninguém menos que Zico, o maior ídolo do futebol brasileiro depois de Pelé.

Dunga sempre que pode alfineta a geração de Zico, chamando-a de perdedora, dos jogadores bons sem sorte.

Dunga não se conforma com o fato de a Seleção de 1982, de Zico, Falcão, Cerezo e Sócrates, derrotada na Copa do Mundo na Espanha, ser muito mais querida e cantada em prosa em verso do que a de 1994, campeã na Copa do Mundo dos Estados Unidos, com ele, Dunga, Romário e Bebeto.

Zico reagiu ao rancor de Dunga e lembrou que a Seleção não pode ser um balcão de negócios ao mencionar que Gilmar Rinaldi, ou Rinaldo, há controvérsias, era empresário de jogadores até assumir o posto de coordenador na CBF.

Gilmar prometeu processar Zico, acusando-o de ser leviano.

Curiosamente, se o fizer, Gilmar repetirá Ricardo Teixeira, que, em 1989, assim que assumiu a CBF, processou o Galinho que chamou a recém lançada Copa do Brasil de caça níqueis.

Zico segue ídolo e Teixeira, bem, Teixeira, deixa pra lá…

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 30 de junho de 2015.


Pep Guardiola chegou!
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Juca Kfouri

ANDRÉ KFOURI, em seu blog, no LANCENET

É com enorme satisfação que comunico o lançamento da edição em português de “Herr Pep”, livro de autoria do ex-atleta, jornalista e escritor catalão Martí Perarnau.

O livro (escrevi uma coluna a respeito, em setembro do ano passado) é um diário da primeira temporada de Guardiola no Bayern de Munique, e uma aula de futebol em todos os seus aspectos.

Trata-se do resultado do maior acesso já permitido por Guardiola a alguém de fora de seu ambiente de trabalho, que revela detalhes interessantíssimos sobre o funcionamento de um time de futebol de alto nível. É dessas leituras que fascinam.

“Guardiola Confidencial”, título da versão disponível no Brasil, chega ao país junto com a Editora Grande Área, novidade no mercado editorial pela missão de disponibilizar as grandes obras sobre futebol escritas em outros idiomas.

O livro será lançado em 14/7, no Museu do Futebol, em São Paulo. O material de divulgação será veiculado nos próximos dias, mas já reserve a data.

Que “Guardiola Confidencial” seja apenas o início de uma nova época nas livrarias brasileiras para quem se interessa por futebol.

Tive o privilégio de escrever o prefácio desta edição e compartilho aqui, por cortesia da editora, o primeiro capítulo do livro.

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Momento 1

O enigma de Kasparov

Nova York, outubro de 201

Garry Kasparov balançou a cabeça enquanto terminava o prato de salada. Usou as mesmas palavras pela terceira vez: “É impossível”. Já falava com um tom de irritação na voz. Pep Guardiola insistia em lhe perguntar as razões pelas quais considerava ser impossível competir com o jovem mestre Magnus Carlsen, o mais promissor enxadrista do momento.

O jantar transcorria em clima amigável. Guardiola e Kasparov haviam se conhecido semanas antes, e desde o início o técnico catalão demonstrou abertamente seu fascínio pelo grande campeão. Kasparov encarna qualidades que Pep admira profundamente: rebeldia, esforço, inteligência, dedicação, persistência, força interior… Daí o entusiasmo ao conhecê-lo pessoalmente e encontrá-lo para dois jantares, em que conversaram sobre competitividade, economia, tecnologia e, é claro, esporte. Guardiola se afastara da elite do futebol poucos meses antes e começava a gozar de um ano de tranquilidade em Nova York.

Deixara para trás, no FC Barcelona, um período triunfal — o mais brilhante, bem-sucedido e apaixonante da história do clube catalão, talvez inigualável: seis títulos em sua primeira temporada, além decatorze troféus dos dezenove possíveis em quatro anos. Os resultados de Guardiola eram excepcionais. Mas, para alcançá-los, ele havia se esgotado. Exausto e descontente, disse adeus ao Barça antes que os danos provocados fossem irreversíveis. Em Nova York, ele queria começar de novo e viver um ano de paz, esquecimento e tranquilidade. Precisava preencher um reservatório de energia que tinha se esvaziado e passar mais tempo com a família, que pouco via pelos compromissos de trabalho. Sua intenção era conhecer novas ideias e dedicar-se aos amigos. Um deles era Xavier Sala i Martín, professor de economia da Universidade Columbia e tesoureiro do Barça em 2009 e 2010, a última etapa de Joan Laporta como presidente do clube. Sala i Martín é economista de prestígio internacional e um bom amigo dos Guardiola. Morando em Nova York há muito tempo, ele foi essencial para que a família de Pep vencesse algumas reservas em relação à cidade norte-americana: os filhos não dominavam o inglês e Cristina, a esposa, ocupava-se demais com o negócio da família na Catalunha. Assim, não entendiam bem o que Guardiola propunha. Sala i Martín encorajou a família a curtir a experiência de viver em Nova York, que acabou sendo muito melhor do que esperavam.

Sala i Martín também é amigo íntimo de Garry Kasparov. No outono, a família Guardiola convidou o economista para visitar sua casa em Nova York. “Sinto muito, mas esta noite tenho um compromisso: marquei de jantar com o casal Kasparov”, desculpou-se, antes de sugerir a Pep que o acompanhasse. Guardiola ficou encantado com a ideia, assim como o próprio Kasparov e sua esposa, Daria. Foi um encontro fascinante. Não falaram de xadrez nem de futebol, mas de invenções e tecnologia, da coragem de romper paradigmas, das virtudes de não se acovardar diante da incerteza e da paixão. Falaram muito da paixão. Kasparov expôs de forma clara suas ideias pessimistas sobre os avanços tecnológicos. Segundo ele, o mundo está estacionado economicamente porque o potencial tecnológico serve basicamente para jogos e novos inventos não possuem a relevância dos antigos. Na opinião de Kasparov, a invenção da internet não pode ser comparada à da eletricidade — que provocou uma autêntica transformação econômica, permitindo o acesso da mulher ao mercado de trabalho e multiplicando por dois o volume da economia mundial. O ex-campeão mundial de xadrez explicou que a verdadeira influência da internet na economia produtiva, não na financeira, é muito inferior à que teve a eletricidade. Deu como exemplo o iPhone, cuja capacidade processadora é muito superior à dos computadores da Apollo 11, os agc (Apollo Guidance Computer), que possuíam cem vezes menos memória ram que um smartphone atual. Segundo Kasparov, os agc serviram para levar o homem à Lua, mas agora usamos a potencialidade de um telefone celular para matar passarinhos (referindo-se ao game popular Angry Birds). Sala i Martín, um homem de raciocínio prodigioso, assistiu maravilhado à conversa entre Kasparov e Guardiola: “Foi fascinante ver dois homens tão inteligentes improvisando um diálogo sobre tecnologia, invenções, paixão e complexidade”, disse.

O encantamento mútuo foi tamanho que, poucas semanas mais tarde, eles se encontraram para um segundo jantar — ao qual Sala i Martín não pôde comparecer porque estava na América do Sul, mas que teve a presença de Cristina Serra, esposa de Pep. Naquela segunda noite, sim, se falou de xadrez. Guardiola ficou surpreso com a intensidade de Kasparov ao falar sobre o norueguês Magnus Carlsen, visto por ele como o indiscutível futuro campeão mundial — o que de fato aconteceu um ano depois, em novembro de 2013, com a vitória sobre Viswanathan Anand por 6,5 a 3,5. Kasparov rasgou elogios ao jovem mestre (de 22 anos na época), a quem chegou a treinar secretamente em 2009, e também detalhou algumas fraquezas que deveria corrigir se quisesse dominar por completo o mundo do tabuleiro. Foi então que Guardiola perguntou se Kasparov se sentia capaz de vencer o emergente campeão norueguês. A resposta o surpreendeu: “Tenho capacidade para derrotá-lo, mas é impossível”. Guardiola imaginou se tratar de uma frase politicamente correta que continha toda a diplomacia que um homem impetuoso como Kasparov era capaz de demonstrar. E por isso insistiu: “Mas, Garry, se você tem capacidade, por que não conseguiria vencê-lo?”. A segunda tentativa obteve a mesma resposta: “É impossível”.

Guardiola é teimoso, muito teimoso, e não largou o osso que Kasparov lhe atirara. Insistiu uma terceira vez, enquanto o enxadrista ia se encerrando cada vez mais em sua concha protetora, os olhos fixos no prato, como naqueles tempos em que precisava defender uma posição frágil no tabuleiro. “É impossível”, voltou a dizer com certo ar de lamúria. Guardiola mudou de tática, afastou o prato de salada, que mal havia tocado, e decidiu esperar outra oportunidade para sondar as razões pelas quais Kasparov se sentia incapaz de vencer o jovem Carlsen. Não só por curiosidade, mas porque tinha consciência de que a resposta podia guardar um dos segredos do esporte de alto nível.

Fazia só quatro meses que Pep abandonara o comando do Barça, depois de construir um cartel de vitórias único e inimaginável. Tinha deixado o clube porque se sentia vazio, desgastado, esgotado, incapaz de levar mais glórias a uma equipe que havia se fartado de tantas conquistas. Foi o primeiro e único na história do futebol a conseguir os seis títulos possíveis em uma mesma temporada. Mas Guardiola renunciou ao Barça por esgotamento e agora, já renovado e recuperado, ciente de que a energia voltava ao seu corpo — e, sobretudo, à sua mente —, via-se diante de um dos grandes mitos do esporte, o qual lhe repetia sem hesitar que ainda possuía as capacidades para vencer, mas que era impossível fazê-lo. Sentiu curiosidade, é lógico.
Oenigma de Kasparov continha muito mais que uma anedota para contar aos netos; nele se encontrava a resposta para o que Guardiola desejava saber há muito tempo: por que se desgastara tanto no Barça? E, principalmente, como evitar tanto desgaste no futuro?

Se eu tivesse que definir Pep Guardiola, diria que ele é um homem que duvida de tudo. A origem dessas dúvidas não é a insegurança nem o medo do desconhecido: é a busca da perfeição. Ele sabe que alcançá-la é impossível, mas a persegue do mesmo modo. Por isso, muitas vezes tem a sensação de que seu trabalho está inacabado. Guardiola é obcecado pelas dúvidas. Acredita que só pode encontrar a melhor solução depois de examinar todas as opções. Lembra, nesse aspecto, o mestre enxadrista que analisa todas as jogadas possíveis antes de realizar o movimento seguinte. A obsessão por esclarecer as dúvidas é um traço da essência de Pep, capaz de dar voltas e mais voltas em torno de qualquer assunto que envolva o jogo antes de tomar uma decisão.

Quando estuda como encarar uma partida, ele não duvida da vocação do seu time: todos ao ataque, com a bola e para ganhar. Mas esses são conceitos muito amplos, e Guardiola desenha com traços finos. Suas grandes ideias são imutáveis, contudo se compõem de muitas pequenas ideias, que ele vai destrinchando na semana que antecede a partida. Pensa e repensa sobre a escalação, a entrada de um jogador em vez de outro, os movimentos que cada atleta fará em função do adversário, a sintonia de algum jogador com um companheiro, como trabalhar as linhas da equipe diante do ataque inimigo…

A mente de Guardiola se parece com a do enxadrista que calcula e analisa todos os movimentos, próprios e do adversário, para antecipar mentalmente o desenvolvimento da partida. Jogue contra quem jogar, a preparação será idêntica: não haverá um segundo de descanso até que ele estude e avalie todas as opções. E quando terminar, voltará de novo a todas elas. É o que Manel Estiarte, seu braço direito no Barça e no Bayern, chama de “lei dos 32 minutos”, em alusão à dificuldade de fazer Pep se desconectar do futebol. Estiarte emprega todos os recursos ao seu alcance para de vez em quando conter a obsessão do treinador e obrigá-lo a se distrair, mas sabe por experiência própria que a distração não dura mais de meia hora: “Você o leva para comer em um restaurante para que se esqueça do futebol, mas depois de 32 minutos já vê que ele começa a divagar. Os olhos miram o teto, ele faz que sim com a cabeça, diz que está escutando, mas não olha pra você, já está pensando outra vez no lateral esquerdo do time adversário, nas coberturas do volante, nos apoios ao ponta… Passou meia hora e ele volta a suas digressões internas”, explica Estiarte.

Se os jogadores estiverem fechados com ele, se o Bayern o apoiar, Guardiola não se desgastará tanto com a tensão causada pela análise constante das variáveis. Às vezes, Estiarte o manda embora de Säbener Straβe, a cidade esportiva do Bayern, para que ele se desconecte. Nesses dias, Guardiola volta para casa e passa um tempo com os filhos, brinca com eles, mas meia hora depois vai até um canto que preparou no final de um corredor, que não chega sequer a ser um quarto pequeno, e recomeça suas divagações. Passaram-se 32 minutos e é preciso repassar novamente todas as dúvidas, apesar de ser a quarta vez no dia em que as examina.

Por tudo isso, a resposta de Garry Kasparov era tão importante. Daí vinha sua insistência em resolver o enigma. Por que um mestre lendário como Kasparov, cujas capacidades são excepcionais, considerava impossível derrotar um rival? Foram Cristina e Daria, as esposas, as rainhas daquele tabuleiro nova-iorquino, que desvendaram o enigma. Levaram a conversa novamente para o rumo da paixão, desse ponto passaram à exigência e ao desgaste emocional e, por fim, desembocaram na concentração mental. “Talvez seja um problema de concentração”, sugeriu Cristina. Daria deu a resposta: “Se fosse só uma partida e durasse apenas duas horas, Garry poderia vencer Carlsen. Mas não é assim: a partida se prolongaria por cinco ou seis horas, e ele não quer viver outra vez o sofrimento de passar tantas horas seguidas com o cérebro funcionando a todo vapor, calculando possibilidades sem descanso. Carlsen é jovem e não tem consciência do desgaste que isso provoca. Garry tem, e não gostaria de voltar a passar por isso durante dias a fio. Um conseguiria se manter concentrado por duas horas; o outro, por cinco. Por isso seria impossível ganhar”.

Naquela noite, Guardiola dormiu pouco e pensou muito.

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Uma Liga em gestação
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Juca Kfouri

No diário “Lance!” de hoje:

POR ANDRÉ KFOURI

AVANÇO
A formatação de uma liga brasileira de futebol está muito mais próxima do que se imagina, incluída aí a esmagadora maioria dos dirigentes dos grandes clubes do país. Gente séria, capaz e interessada, de diferentes setores de atividade, tem se reunido há meses para conversar sobre os diferentes aspectos da evolução do futebol no Brasil. Dessas discussões surgirá uma proposta que abordará todos os ângulos e será apresentada aos principais interessados, aqueles que deveriam estar empenhados neste processo, mas não fazem ideia de como iniciá-lo: os clubes.

A conjuntura do futebol no Brasil tem revelado a capacidade de descobrir novos subsolos a cada vez que atinge o que parece ser o fundo do poço. A recusa a compreender o significado do 7 x 1 – uma combinação de incompetência generalizada e péssimas intenções – levou a Seleção Brasileira ao estado de penúria exposto pela eliminação na Copa América. Os clubes não conseguem honrar os próprios compromissos, apesar de viver uma era sem precedentes em termos de injeção de receitas. Devem bilhões à União, mas rejeitam as contrapartidas de governança previstas na Medida Provisória do Futebol, porque seus cartolas pretendem continuar a ser os únicos espertos. E como um símbolo desse modo de operar, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol acaba de completar um mês como hóspede involuntário do governo suíço.

De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ainda não conhecemos metade da missa. Mas já temos o suficiente para finalmente dar razão a quem diz que o futebol não é um ambiente recomendável para gente correta. Até pessoas bem intencionadas, bem sucedidas e dotadas de conhecimento e visão se encontrarem para desafiar essa noção e mostrar à indústria do futebol no Brasil o seu próprio futuro. É um futuro baseado na boa gestão, em um calendário coerente, na valorização do produto e de seus verdadeiros proprietários. Um futuro inatingível se o modelo que está aí desde sempre, sustentado por nomes diferentes e práticas iguais, não for dramaticamente reformado.

A viabilidade do futebol no Brasil atravessa um momento decisivo, o que não é necessariamente ruim. Não é complicado perceber a urgência para encontrar um caminho que conduza o produto a um tratamento semelhante ao que se vê nos países onde o futebol prospera. Se por um lado é obrigatório temer as forças do atraso, por outro é fácil identificar quem as representa e por quê. A tarefa mais fácil de todas é concluir que a classe dirigente que se perpetuou em nosso futebol, figura simbolizada à perfeição por Marco Polo Del Nero, não se aproxima das condições para comandar essa transformação.

A boa notícia: enquanto a cartolagem e seus carregadores de malas se preocupam com a manutenção de suas cadeiras e com o repugnante jogo político (levaram uma humilhante caneta durante a semana, em Brasília) que os mantém, há quem esteja de mangas arregaçadas e trabalhando. 

Mais  do que nunca, é hora de torcer pelo avanço.


O Brasileirão do equilíbrio e de nível abaixo do Paraguai
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Juca Kfouri


No campeonato nacional do país que pela segunda vez seguida foi eliminado da Copa América pelo Paraguai, o equíbrio é tão grande como é ruim o futebol, com raras exceções.

Ontem, por exemplo, para falar das exceções, o Palmeiras deu um baile no São Paulo e o goleou por 4 a 0.

Mas o São Paulo está no G4, apenas dois pontos atrás do líder Sport, e com os mesmos 17 pontos de Atlético Mineiro, Fluminense e Grêmio. O Palmeiras, não.

Se tem quatro times com 17 pontos, tem mais três com 16, apenas três pontos abaixo do líder: Atlético Paranaense, Corinthians e Ponte Preta.

Equilibrada também está a briga para não cair, com três campeões brasileiros, Flamengo, Coritiba e Vasco, além do lanterna Joinville, nas quatro últimas posições, com Cruzeiro, Santos, Goiás e Figueirense pertinho da zona do rebaixamento.

Aliás, a rodada foi perversa para os times catarinenses: o Joinville perdeu pro Galo em Belo Horizonte, o Figueirense foi derrotado pelo Corinthians em São Paulo, o Grêmio ganhou do Avaí em Florianópolis e a Chapecoense só empatou com o Sport, em Chapecó.

Mas o triste mesmo é que se juntar os jogadores dos 20 clubes do Brasileirão e tirar os estrangeiros, não dá para formar uma Seleção que amarre as chuteiras, por exemplo, da brasileira que perdeu a Copa do Mundo de 1982, com Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico.

E ainda temos que conviver com desculpas esfarrapadas.

O 7 a 1 foi por causa do apagão. O terrível 1 a 1 com o Paraguai foi por causa da poluição, que virou virose.

O ex-presidente da CBF está na prisão. O atual em reclusão, por medo de extradição.

Já o antes poderoso futebol brasileiro virou saco de pancadas e só vê os outros gritarem “é campeão!”.

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 29 de junho de 2015, que você ouve aqui.


E o Flamengo conseguiu perder para o Vasco
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Juca Kfouri

  
Vasco e Flamengo, ambos na zona do rebaixamento, fizeram em Cuiabá um dos piores Clássicos dos Milhões de todos os tempos, diante de  apenas 14 mil pagantes…

A Arena Pantanal não merecia um futebol tão pantanoso, apesar do gol do colombiano Riascos aproveitando um belo cruzamento de Mádson que se aproveitou de uma bela escorregada de Anderson Pico, uma das heranças de Vanderlei Luxemburgo, trocada por Alan Patrick no intervalo.

Os dois times são tão ruins que fica difícil imaginá-los na primeira divisão no ano que vem e dá até pena de Sheik e Guerrero que têm a missão de salvar o Flamengo.

Só aos 34 minutos do segundo tempo, o rubro-negro fez o goleiro vascaíno Charles trabalhar pela primeira vez.

Já o Vasco não chutou uma bola no gol do rival no segundo tempo.

O Vasco, em seu nono jogo no Brasileirão, obteve seus primeiros três pontos no campeonato.

Tem agora seis pontos, contra sete do adversário. O líder, Sport, tem 19…

E foi duro ver o jogo até o fim, porque como miséria pouca é bobagem, o assoprador de apito deu nada menos do que seis minutos de acréscimos, num exercício típico de sado-masoquismo.

Mas Eurico Miranda há de estar feliz com a nova vitória cruzmaltina sobre o rival, mais um título em 2015, apesar do penúltimo lugar na tábua de classificação.

Celso Roth é a solução!

Quem sabe se a CBF também não se convence?


Palmeiras pega o São Paulo, enrola e bota no bolso: 4 a 0!
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Juca Kfouri


O Choque Rei corria equilibrado, com direito a uma bola na trave chutada por Alexandre Pato quando Leandro Pereira bateu um forte numa bola recebida da esquerda e o desvio dela em Souza tirou Rogério Ceni do lance:  1 a 0, aos 31.

O São Paulo sentiu o gol e o Palmeiras se aproveitou ao tomar conta do jogo e ver Victor Ramos, livrinho da silva,  cabecear no travessão a cobrança de escanteío pela esquerda e desperdiçar o segundo gol.

Dez minutos depois do primeiro gol, o mesmo Victor Ramos subiu num escanteio da direita e fulminou a defesa tricolor:  2 a 0. O curioso é que foi um lance muito mais difícil do que no gol perdido.

Sabe-se lá por que, Juan Carlos Osorio reclamou da arbitragem e foi expulso no intervalo.

Marcelo Oliveira não só não tinha do que reclamar como mandou seu time seguir atacando.

Por pouco, logo na volta do segundo tempo, Vitor Hugo não fez 3 a 0, aos 7.

O São Paulo pouco ameaçava e o Palmeiras, aos 14, armou o contra-ataque e, de pé em pé, a bola acabou nos pés de Rafael Marques que ampliou: 3 a 0.

O primeiro Choque Rei pelo Brasileirão na nova casa palmeirense repetia o placar do primeiro Choque Rei lá pelo Paulistinha.

Enquanto Arouca dava o ar de sua graça no Verdão, Paulo Henrique Ganso fazia uma apresentação deplorável no Tricolor.

Aos 26, uma aula de futebol.

Rafael Marques virou o jogo da lateral direita para a esquerda onde Egídio, em tarde nota 10,  botou na cabeça de Cristaldo, que substituíra Leandro Pereira, e o argentino fez 4 a 0.

A goleada estava consumada, fora o show, diante de 30 mil torcedores.

O São Paulo fez um segundo tempo de time pequeno, despersonalizado, outra vez sem alma.

E o Sport segue líder do Brasileirão.


O gol mais triste do mundo
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Juca Kfouri

Por ROBERTO VIEIRA

Muita gente imagina com seus botões.
A derrota é o momento mais triste do futebol.
Derlis González tem 21 anos.
Derlis, ídolo do seu tio.
Pênalti contra o Brasil.
O menino de 21 anos recebe a tarefa de empatar o jogo.
Gol.
Diante da televisão, Manuel, tio de Derlis salta e comemora.
Festa paraguaia.
Jogo empatado.
As penalidades se revezam em drama e crueldade.
O Paraguai pode vencer agora!
Santa Cruz comete o pecado de errar o alvo.
Manuel não acredita.
Lá vai novamente o sobrinho para a marca de pênalti.
O coração de Manuel fraqueja.
Derlis manda nas redes de Jefferson.
Manuel sorri e diz adeus ao futebol para sempre.
Nunca mais jogos do Olímpia.
Nunca mais o grito de gol em Cadete Pando.
Muita gente imagina com seus botões.
A derrota é o momento mais triste do futebol.
Mas não é…
  


E viva o Paraguai!
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Juca Kfouri

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Aos 14 minutos de jogo, uma boa troca de bola entre Robinho, Elias, Daniel Alves e Robinho culminou com o gol do santista e assustou os paraguaios que já estavam pondo as manguinhas de fora.

Até ali, Philippe Coutinho tinha dado um belo chute de fora da área e Jefferson havia dado e tomado dois sustos.

O jogo em si transcorria no nível desta Copa América quando nem Chile nem Argentina jogam: muita luta e pouca magia.

Benitez, pela esquerda do ataque guarani, dava trabalho a Daniel Alves e Roberto Firmino, no ataque brasileiro, era um peso morto.

Curiosamente a ausência de Neymar preenchia uma lacuna e fazia do time brasileiro um grupo mais solidário. Até Fernandinho estava meigo diante da cavalgadura paraguaia.

O primeiro tempo terminou passando a sensação de que o gol de Robinho seria o máximo que se veria no estádio de Concepción, embora os paraguaios arriscassem um ataque aqui, outro ali.

Mas os brasileiros voltaram dispostos a segurar o 1 a 0 e explorar um eventual contra-ataque, enquanto os paraguaios, é claro, foram para a pressão.

Diego Tardelli deve estar treinando muito mal para que Dunga mantenha Firmino em campo.

Aos 15 minutos ele pôs Douglas Costa no lugar de Willian.

Aos 18, Jefferson evitou que uma cabeçada depois de escanteio virasse o empate paraguaio.

A Seleção Brasileira jogava tristemente, mais uma vez.

Aos 23, finalmente, Tardelli foi chamado para o jogo e Firmino saiu.

Aos 24, estupidamente, Thiago Silva meteu a mão na bola dentro da área e o pênalti foi marcado.

Gonzalez bateu e empatou.

Era justo menos pelo que o Paraguai fez, mais pelo que o Brasil não fez.

E vieram os pênaltis.

Fernandinho fez 1 a 0;

O Paraguai empatou;

Everton Ribeiro bateu para fora;

O Paraguai fez 2 a 1;

Miranda empatou, com simplicidade;

O Paraguai fez 3 a 2;

Douglas Costa bateu em Santiago;

Roque Santa Cruz ficou com inveja de Douglas Costa;

Philippe Coutinho empatou;

Gonzalez classificou o Paraguai!

Melhor que ser goleado pela Argentina, né não?

Notas:

Jefferson foi bem, 7;

Daniel Alves sofreu, 5,5;

Miranda foi o melhor da defesa, 6,5;

Thiago Silva sempre peca, 4;

Filipe Luís não convence, 4,5;

Fernandinho até tentou jogar, 5;

Elias quase, 5;

Willian sassarico 4,5;

Philippe Coutinho melhorou, 5;

Robinho melhorzinho, 5,5;

Roberto Firmino muito mal, 3,5;

Diego Tardelli não somou, 5;

Douglas Costa entrou e nada fez, 5;

Everton Ribeiro pouco tempo e pênalti para fora, 2;

Dunga não tem time nem ideias, 4,5.


Marin é um canastrão
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Juca Kfouri

  
Não aposto um dólar furado nas ameaças de José Maria Marin se é que, de fato, ele as fez.

Quem já esteve com Marin num tribunal sabe o quanto ele não tem constrangimento algum em faltar com a verdade mesmo diante de um juiz.

Certa vez disse, perante um magistrado, com a falsa indignação dos péssimos atores, que teve de contratar seguranças para sua mulher e filho, e que ela foi agredida num shopping center depois das notas aqui publicadas sobre seu envolvimento no caso Herzog.

Ora, desafio quem quer que seja a reconhecer dona Neusa Marin na rua ou o filho do casal.

Sim, Marin talvez seja capaz de dedodurar antigos parceiros que considere terem sido desleais ou ingratos, como já considerava Marco Polo Del Nero ainda antes do FBI aparecer.

Não será a primeira vez que se prestará ao triste papel de delator.

Mas para ser mera bravata também não custa.